O ano de 2009 não sai da cabeça do técnico João Galvão. Mais especificamente o dia 16 de abril. Na noite daquele dia, aconteceu o que o treinador classifica “como o melhor momento na história” do time que ele comanda há mais de cinco anos. “Em 2009, na Copa do Brasil, depois de termos passado pelo América (MG), vencemos o Fluminense jogando no Mangueirão. Ter jogado no Mangueirão e depois no Maracanã cheio, dois grandes estádios do futebol brasileiro, com todos os paraenses torcendo pela gente, foi o melhor momento da história do Águia”, assegura. Parece pouco para quem está há tanto tempo à frente da equipe. Mas João Galvão revela: “Com a pequena infraestrutura que temos hoje, a Série C é um bom lugar para o Águia”, diz ele.
Mais que técnico, Galvão também trabalha nos bastidores do clube. Muitos o classificam como um “diretor-técnico”. O que lhe rende algumas críticas por parte da torcida. “Eu encaro isso com naturalidade. Mas, a minha resposta é dentro de campo”, rebate. E esse ano, por pouco, esse orgulho do treinador não é manchado. Realizando uma campanha regular na Série C (o time não ganhou nenhuma partida fora de casa, porém não perdeu nenhuma jogando dentro), o Águia conseguiu escapar do rebaixamento na última rodada ao derrotar o Santa Cruz (PE). Passada a tensão, o técnico do Azulão bateu um papo com o Bola sobre o seu futuro. E revelou: “Ser treinador é viciante”.
Você pode chegar ao sexto ano à frente Águia. Qual o balanço que você faz desse tempo?
A gente procurou sempre fazer da melhor maneira, fazer o trabalho correto, apesar da pequena estrutura que temos aqui. Esse ano, conseguimos permanecer na Série C brigando com um gigante do futebol nacional, que é o Santa Cruz. Foi um trabalho árduo, tivemos dificuldades, mas no final deu tudo certo. Ao lado do Paysandu, somos o segundo representante do estado. E isso nos engrandece. Com a estrutura que temos hoje, a série C é um bom lugar para o Águia.
Qual a melhor lembrança que você tem nesses anos todos à frente do Águia?
Não posso deixar de falar de 2009, na Copa do Brasil, quando vencemos o Fluminense, no Mangueirão, por 2 a 1. Todos estavam torcendo pela gente. Fizemos um primeiro tempo brilhante. Depois fomos para o Rio de Janeiro, jogar no Maracanã, onde jogamos de igual para igual, como um time aguerrido que sempre somos. Infelizmente, o placar foi adverso e ainda contou um pouco com a ajuda da arbitragem, mas só de termos jogados no Mangueirão e Maracanã já foi uma grande coisa. Foi o melhor momento na história do Águia.
E o oposto, qual foi o pior momento?
O pior momento foi ter perdido o título estadual para o Cametá, esse ano, depois de estarmos tão perto. Fizemos os três gols que precisávamos para ser campeão e ainda tivemos um gol anulado pela arbitragem, mas acabamos levando um único gol, em um lance antológico do Ratinho.
Entre essas histórias, você também tem certa rejeição por parte da torcida. Como você encara essa parte que pede para você sair do time?
Eu encaro isso com naturalidade. Tem mesmo um grupo que não reconhece o nosso trabalho, o do Ferreirinha (presidente do Águia), principalmente. Mas nós colocamos o Águia em um lugar onde muito time do Pará sonha estar e as pessoas não analisam isso. A minha resposta é dentro de campo. Mas não tenho mágoa de ninguém. Graças a Deus, tenho mais amigos de que inimigos.
Essa semana você revelou que tem propostas de outros times para o ano de 2013 e está estudando elas. Você não acha que este é o momento para deixar Marabá, até para evoluir na sua carreira de treinador com novas experiências?
Isso depende muito. Depende da equipe, da proposta de trabalho e até um pouco de sorte. Se vier a acontecer, tem que ser uma proposta honesta, em que eu possa trabalhar com autonomia, tenha liberdade para trabalhar. Se não for isso, não vou para lugar nenhum. Não aceito dirigente vaidoso e corrupto. Não aceito clube viciado em erros.
Há tempos você também trabalha como diretor no Águia. Ir para os bastidores também não passa pela sua cabeça?
Isso também depende muito do momento. Ficar só nos bastidores é diferente de técnico. A parte do treino é viciante, ficar na beira do gramado é prazeroso. Então, ainda não pensei muito nisso. Mas, por enquanto, não tenho nada concreto, vai depender de muita conversa.
(Diário do Pará)
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