Um ex-jogador que ainda hoje é festejado pelos torcedores de Remo, Paysandu e Tuna Luso. Coisa rara de se ver em um futebol de grande rivalidade, principalmente entre azulinos e bicolores. Este é Edgar Luiz Souza da Costa, 53 anos, detentor de dois títulos nacionais, o da Taça de Prata, jogando pela Lusa, em 1985, e da Série B do Brasileiro, defendendo o Paysandu em 1991. No currículo do ex-volante constam ainda outros três títulos estaduais, dois pelo Remo (1989 e 90) e um pela Lusa (1988). Fora do Pará, o ex-jogador também deixou sua marca vitoriosa, sendo campeão amapaense pelo Ypiranga, em 92, e cearense pelo Ferroviário-CE, em 94.
A carreira de Edgar foi iniciada tardiamente. “Quando comecei na Tuna já tinha 24 anos”, recorda. Mesmo sem a preparação nos fundamentos básicos do futebol, Edgar sempre mostrou um talento nato, sendo ovacionado pelos torcedores pela habilidade e raça. O começo da carreira aconteceu por um acaso, conforme explica: “Eu jogava pelada pelo Fuzuê (tradicional clube de pelada, já extinto) e fomos disputar uma final, no Souza, contra o Cantão. O Ari Greco, que era o técnico da Tuna me viu jogando e fez o convite. Topei na hora”, lembra. Isso em 1984.
Na Lusa, o ex-volante ficou até 88, sendo levado por Israel Vasconcelos, o El Louco, figura folclórica do futebol paraense, para o Remo. No Baenão, Edgar viria a conquistar mais dois títulos estaduais, 1989 e 90. A travessia para a Curuzu se deu no final de 90. E foi lá no time bicolor que ele conquistou o segundo título mais importante de sua carreira, a Série B do Brasileiro de 91, tornando-se bicampeão nacional, pois já havia ajudado a Lusa, dois anos antes, a sagrar-se campeão da Taça de Prata (Série B da época).
Além das equipes já citadas, Edgar ainda defendeu o Ceará-CE, Moto-MA, Santa Rosa e Ananindeua, onde encerrou a carreira em 98. “Os caras não estavam pagando os salários, achei melhor procurar outra coisa para fazer na vida”, conta o ex-volante, que agora é motorista em um órgão público municipal. Olhando o futebol de hoje, Edgar sente saudades de seu tempo. “Na minha época havia mais entrega. Hoje os caras chegam aqui só pra roubar e se arrancam depois”, acusa.
Na opinião de Edgar, a ausência de jogadores locais é que está levando Remo e Paysandu para o buraco. “No meu tempo a maioria sempre foi de jogador da terra, gente que sabe a importância do futebol para o torcedor local”, diz. Ele cita como exemplo, o meio-campo bicolor campeão brasileiro em 91, onde apenas Rogerinho era de outro estado.“Os outros três eram eu, o Oberdan e o Mazinho, todos daqui mesmo”, recorda. Ainda hoje, apesar da idade e da forma física bem diferente de sua época de jogar, Edgar ainda encanta jogando futebol pelada com os amigos. Quem o vê em campo sente saudades dos tempos gloriosos de Leão, Papão e Águia.
(Diário do Pará)
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