A vitória ‘fácil, extremamente fácil’, como dia a letra da famosa música da banda Jota Quest, serviu de alívio para o time do Paysandu. A equipe bicolor vinha de uma derrota, no Parazão, para o Independente, fora de Belém, e nada melhor que se reabilitar em cima do maior rival e com uma apresentação inquestionável, que resultou no placar de 3 a 1.
Ainda no gramado do Mangueirão, os bicolores não escondiam a satisfação do dever cumprido. “O primeiro tempo que fizemos foi sensacional”, avaliou Yago Pikachu.
“Apesar de o placar ter sido de apenas 1 a 0, os nossos 45 minutos iniciais foram quase perfeitos. No segundo tempo, após o gol deles, a gente deu uma relaxada, mas logo depois o time voltou a ter o domínio da partida até chegar ao terceiro gol”, analisou o lateral bicolor, que, ontem, marcou o seu 47º gol pelo time.
O volante Ricardo Capanema, por sua vez, festejava o fato de ter cumprido bem o que lhe foi determinado pelo treinador Dado Cavalcanti. O jogador foi um autêntico ‘carrapato’, colando o tempo inteiro no meia Eduardo Ramos, que foi anulado em campo.
“É muito difícil marcar o Eduardo no mano a mano. Recebi essa missão do treinador e, graças a Deus, consegui cumpri-la bem”, declarou.
Dado resumiu o resultado em poucas palavras. “Foi uma vitória com méritos”, afirmou.
Ele salientou que em nenhum momento o Papão perdeu o controle da partida, nem mesmo quando sofreu o único gol feito pelo adversário. “Até mesmo naquele momento, no segundo tempo, não deixamos de ser superiores em campo”, avaliou.
O treinador garantiu que algumas das jogadas colocadas em prática pelo time no Re-Pa foram ensaiadas no treino do último sábado (28), que não teve a presença da imprensa.
“Quando faço treino de portão fechado não é para complicar para vocês da imprensa. A gente sempre aproveita esse tipo de trabalho para preparar alguma coisa. Hoje (ontem) fizemos duas, três jogadas que ensaiamos nos treinos”, revelou o técnico do Papão.
Tem Dado certo
Clube do Remo e Paysandu entraram em campo, ontem, no Mangueirão com escalações consideradas, no mínimo, cautelosas. A presença de três volantes em cada uma das equipes deixava claro que ninguém queria se arriscar tanto no clássico, preferindo, primeiro, estudar o adversário para, mais tarde, quem sabe, sair em busca do resultado.
Mas, bastaram os primeiros minutos do Re-Pa para o torcedor constatar que a cautela adotada pelo técnico bicolor era na teoria. Tão logo o árbitro deu o apito inicial, o time tomou para si as redes da partida e assim foi até o encerramento do clássico de número 730.
É inquestionável que Dado foi ‘mágico’ ao armar a estratégia de jogo de sua equipe. A decisão de destinar ao volante Ricardo Capanema a missão de fazer o papel de ‘cão de guarda’ em cima do meia Eduardo Ramos, acabou por consumar na grande estratégia tática tirada pelo treinador.
Com seu principal jogador de criação apenas fazendo número em campo, o Leão não tinha o menor poder ofensivo.
Sem ter como fazer a ligação meio-campo/ataque, já que Bismark, que seria o outro meia atuava na frente com Val Barreto, o Leão não possuía força para pressionar a defesa bicolor.
Os jogadores de frente da equipe azulina não passavam de peças decorativas, aparecendo muito pouco no jogo e assim mesmo sem exigir o menor trabalho da defensiva inimiga. Desta maneira, o Papão pôde manobrar com bem entendia e chegar fácil a área do adversário, para desespero da insegura zaga azulina, que não parava de bater cabeça.
O Papão encerrou o primeiro tempo como senhor do clássico, sendo até injusto o escore mínimo conseguido pelo time, que teve umas duas, três chances de aumentar a vantagem.
O Leão voltou para o segundo tempo com Rony e Caça Rato nos lugares de dada e Val Barreto. O time deu uma pequena melhorada, mas nada que pudesse amedrontar a superioridade bicolor, até mesmo quando chegou ao seu gol de gol de honra na partida, logo respondido pelo Papão com o fechamento do placar em 3 a 1.
(Diário do Pará)
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