Para os dirigentes do Remo, a venda de mais um atleta da base, a segunda apenas em 2015, representa um mal necessário: atolado em dívidas, a saída de jovens promessas, em meio a um elenco de jogadores medianos, representa a salvação financeira no caos que vive o clube.
Primeiro foi o atacante Rony, que deixou o Clube do Remo na final do Campeonato Paraense. Uma negociação muito mal explicada, rendeu aos cofres do clube “apenas” R$ 321 mil reais, dos 500 divulgados oficialmente. Isso porque o clube assinara um contrato com o atleta até 2017, com multa rescisória de R$ 2 milhões. Já com Ameixa, comenta-se que as cifras envolvem algo em torno de R$ 450 mil.
Somando os dois valores, chega-se a um número de R$ 771 mil, dinheiro que, atualmente, cobre três folhas salariais. Entretanto, as dívidas trabalhistas na ordem dos R$ 10 milhões, o colocam o a todo momento na linha de tiro dos credores. Entram em cena as ameaças de leilões e outros processos que abatem de vez a combalida estrutura financeira do Remo.
Como resultado, surgem os famigerados acordos financeiros. Compromissos quase unilaterais que os dirigentes precisam assumir, se não quiserem ver o patrimônio escorrer pelo ralo da crise. Nessas “parcerias”, cifras indecorosas precisam ser pagas religiosamente. Não o bastante, dirigentes desafiam a lei e não pagam, sabe-se lá por quais motivos.
Ai entram os bloqueios de renda e patrocínio, que deixam o time sem receita. Com isso, os salários atrasam, a qualidade técnica do time despenca e a torcida, vendo os maus resultados, fica enfurecida e quando tem a oportunidade, desconta a raiva em forma de objetos atirados no gramado, fechando assim o ciclo interminável da dor de cabeça remista.
(Diário do Pará)
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