Aposta do Paysandu no início da temporada, o atacante Leandro Noronha de Oliveira, um “Cearense”, de 30 anos, nascido em Castanhal, chegou à Curuzu sob a desconfiança de parte da Fiel. O “pé atrás” dos torcedores se devia, basicamente, a dois motivos: o principal deles o fato de o artilheiro estar vindo do maior rival, o Remo, e, depois, pela passagem apenas discreta do atleta por outros times fora do Pará, como Vila Nova-GO e Cuiabá-MT. Hoje, Cearense, apelido que ganhou por ser filho de pai nascido no estado nordestino, é quase uma unanimidade entre os simpatizantes do Papão.
O atacante, cuja carreira foi iniciada no modesto Santa Rosa, de Icoaraci, conta que, no início, foi difícil convencer a Fiel de que a diretoria bicolor havia acertado em sua contratação. “Foi um pouco ruim pelo fato de eu ter sofrido duas contusões e não ter podido concretizar o sonho de ganhar o Estadual. Ficou aquela desconfiança”, diz. Hoje, passado quase nove meses de sua chegada à Curuzu, Cearense, conforme afirma, convive com situação oposta. “Pelo campeonato que estou fazendo, apesar das lesões que tenho sofrido, consegui ter o apoio do torcedor. Trabalhei para isso”, comemora.
Durante o período de convencimento da Fiel, o atacante contou com o apoio imprescindível de familiares, amigos e alguns torcedores. “A família, que é quase toda Paysandu, sempre me deu a maior força”, revela. “Mesmo aqueles que são remistas procuraram me incentivar de alguma forma. Também tive o apoio de amigos e dentro do próprio grupo de jogadores”, garante. O fato de ter se declarado torcedor do Papão, após ter sido contratado, segundo o atacante, ajudou muito na empatia entre ele e a Fiel.
“Com certeza isso ajudou bastante”, avalia. “Havia assinado um pré-contrato com o América-RN e tinha convite do Fortaleza-CE, mas preferi ficar aqui, primeiro por causa do meu pai, que é Paysandu ‘doente’, e por causa de mim mesmo que também sempre torci pelo Papão”, salienta. Apesar do bom relacionamento com a Fiel, Cearense é franco ao admitir que ainda não se sente uma unanimidade entre os torcedores. “Nem mesmo Pikachu, que tem uma história bem maior dentro do Paysandu, não é unanimidade. Até ele, algumas vezes, é criticado pela torcida”, compara Cearense.
De acordo com a análise de Cearense, o fato de o atacante Souza, principal contratação bicolor este ano, não ter ido bem, sendo dispensado, nada teve a ver com a sua ascendência no clube. “O Souza é uma boa pessoa, um amigo, mas não deu certo. Isso acontece muito no futebol, mas não foi isso que fez com que eu conquistasse o torcedor”, assegura Cearense, que está lesionado e faz planos de voltar ao time no jogo de sábado (26), contra o Vitória-BA,
em Salvador.
(Nildo Lima/Diário do Pará)
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