Em um país que se luta pela melhoria de condições de vida, o esporte ajuda diretamente no crescimento de uma criança. Incentivar a pratica esportiva tira os jovens da “rua”, e a melhor forma é visualizar no seu ídolo uma oportunidade de realização de sonhos. No ano em que o Brasil irá receber os Jogos Olímpicos, nada melhor do que apresentar para as novas gerações grandes esportistas da terra. Certo? Seria...
Um dia após o revezamento da tocha olímpica passar pela capital paraense, ficou o questionamento: por que atletas que levam ou levaram o nome do Pará para o mundo não participaram do evento? Muitos deles tampouco foram lembrados.
Qual o critério para a escolha dos condutores? Pois bem, a Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel) respondeu por meio de nota. “Os demais condutores da Tocha Olímpica foram selecionados pelos patrocinadores oficiais que fizeram promoções pela internet. Outros nomes também foram lembrados pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) por ações em defesa da cidadania, artes, esporte e lazer”.
Então vamos lembrar alguns nomes esquecidos pelos patrocinadores e organizadores do evento. Pensar em esporte é lembrar rapidamente do ex-jogador Giovanni. Com uma carreira brilhante e vitoriosa, ele é de fato um dos maiores nomes do futebol paraense, e nem se quer recebeu o convite para conduzir o símbolo dos Jogos Olímpicos.
“Prefiro acreditar que as pessoas que escolheram os nomes não me conhecem ou não entendem de futebol. Como desportista que eu fui me sinto desprestigiado pelo meu estado”, disse Giovanni. Mas como esquecer de um atleta que foi vice-campeão da Copa do Mundo de 1998?
Assim como Giovanni, o ex-atacante Roma foi esquecido pelos organizadores. “Fiquei impressionado com alguns nomes escolhidos, mas esse é o nosso Pará. Tem muita gente importante aqui, pessoas que levam o nome do estado para fora, assim como eu fazia. Isso é o mínimo que podiam fazer pelos esportistas”, questionou.
Giovanni e Roma decidiram voltar para Belém após encerrarem as suas carreiras como jogadores de futebol.
O meio campo do São Paulo, Paulo Henrique Ganso, foi convidado para participar do revezamento, mas não compareceu por motivos profissionais.
Com vaga confirmada nos Jogos Olímpicos de 2016, Ian Matos, dos saltos ornamentais, seria mais um nome perfeito para carregar o símbolo da competição, porém também foi esquecido.
Morando no Rio de Janeiro, o atleta de Muaná (PA), treina para levantar a bandeira do Estado em agosto.
Pelo vôlei de quadra, as atletas Naiane Rios e Juma Fernandes, estiveram de fora também na prévia da festa olímpica no Brasil. A primeira, inclusive está na China defendendo a seleção principal no Grand Prix, porém nenhuma delas receberam o convite para o revezamento.
“Eu não sei qual o critério adotado para selecionar as pessoas que conduziram ou conduzirão a tocha, mas de fato muitos atletas deveriam ter sido lembrados. A Olimpíada no Brasil não foi construída há 10 ou 20 anos atrás, existe uma história no nosso esporte que deve ser respeitada e os atletas que a construíram deveriam ser lembrados. Fico muito triste com isso, um país sem história será um país sem futuro”, contestou Juma.
Jucelino Junior, que pratica salto em penhasco, é um daqueles atletas que luta por um sonho. Ele está no ranking dos melhores do mundo, além de já estar classificado para o mundial de Budapeste, na Hungria, em 2017.
“Continuo levando a bandeira do meu Estado para o mundo, mês que vem estarei na França. Minha vida é fora do Brasil, vou para o meu país só para treinar e mesmo assim não fui lembrado. A falta de reconhecimento é o que nos faz fazer isso, buscar fora o que não tem dentro! O reconhecimento dentro do Brasil muitas das vezes só vem quando somos alguém fora dele! ”, finalizou.
Conheça a vida desses atletas:

(Bruna Dias/DOL)
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