A temporada 2017 reserva desafios importantes ao Paysandu. Logo de cara, no primeiro semestre, o Papão tem como missão levantar dois bicampeonatos, um deles inédito na história do clube e da própria competição, a Copa Verde. O outro diz respeito ao Parazão, feito que o time não conquista há seis anos, assistindo seu maior adversário, o Remo, e os interioranos Independente e Cametá serem campeões. Na segunda parte do ano, os bicolores disputarão a Copa do Brasil, esta sem grandes pretensões, e o Brasileiro da Série B, meta principal do clube.
A última vez em que a equipe bicolor levantou um bicampeonato no futebol local foi nos anos de 2009 e 2010. A partir daí, o Papão amargou um jejum de títulos, só quebrado no ano passado. Em 2017, o time tem a chance de voltar a reviver a façanha de levantar o “caneco” de campeão dois anos seguidos, feito que tem sabor especial a qualquer torcedor. Mais ainda quando essa conquista ocorre de maneira jamais registrada em uma competição, como poderá ocorrer na Copa Verde, que em três anos de disputa teve três campeões diferentes - Brasília-DF, Cuiabá-MT e, óbvio, o próprio Paysandu.
O técnico Marcelo Chamusca, que comandará o time em 2017, logo em sua apresentação à imprensa, já adiantou que mira a conquista de ambos os títulos, que, pelo que deu a entender, serve como espécie de cartão de visita do time para a sequência da temporada. Mas, a cereja do bolo bicolor é mesmo o acesso do time à Série A, competição que ele não disputa desde 2005. A volta à elite representa uma questão de honra para o torcedor do Papão, que, em 2015, chegou ver seu time bem perto da realização do sonho. Mas, ao final da Segundona, o acesso acabou sendo adiado, talvez para 2017.
Retrospectiva
Sem o acesso à elite,mas com saldo positivo
O fato de o time ter encerrado o ano com dois títulos, caso os do Parazão e da Copa Verde, 2017 não teve o saldo esperado pelo torcedor do Paysandu e muito menos pelo, então, técnico do time, Dado Cavalcanti e seus jogadores. O principal propósito do time ficou pelo meio do caminho, que era o sonhado acesso à elite do futebol brasileiro.
Com isso, de certa forma, a temporada acabou deixando um gosto um pouco amargo aos bicolores. “Foram duas conquistas importantes, sem dúvida, mas nosso objetivo maior era o acesso à Série A. Ele não veio, mas temos 2017 para buscarmos essa classificação”, amenizou o atacante Leandro Cearense, um dos atletas cujo contrato foi renovado. O volante Jhonnatan também lamenta o fato de o time não ter encerrado a Série B entre os quatro primeiros colocados do campeonato. “Perdemos pontos importantes em casa e que acabaram fazendo falta”, admite.
“Foi um erro que fica como lição para 2017”, ressalta Jhonnatan. O zagueiro Fernando Lombardi tem o mesmo discurso. “Não foi um ano de todo ruim, por termos conquistado o Estadual e a Copa Verde, mas o acesso, que era o nosso maior objetivo, infelizmente, teve de ser adiado. Quem sabe se no próximo ano ele não se concretizará”, diz o zagueiro.
Papão tem a obrigação de ser campeão
Meta traçada
Sem querer colocar a carroça adiante dos bois, como se diz, o técnico Marcelo Chamusca, que comandará o Papão em 2017, tratou de fixar os primeiros objetivos do Papão em 2017. Eles passam, claro, pela subida do time ao lugar mais alto do pódio nos seis meses iniciais do ano. O treinador não abre mão de ver sua equipe colocando a faixa de campeão em suas primeiras competições, que são o Parazão e a Copa Verde, das quais o Papão é o atual campeão.
Chamusca, em seu recado ao torcedor, apresentou a justificativa para a meta ambiciosa. “O Paysandu tem de ser campeão estadual pelo investimento, a estrutura e, principalmente, a história que tem”, disse. “Depois temos a Copa Verde outra competição em que também teremos de brigar pelo título, pelo mesmo motivo exposto com relação ao Estadual”, prosseguiu. “A priori a minha preocupação é com as duas competições que vamos disputar no primeiro semestre até em função da responsabilidade que temos”, salientou o técnico, deixando a Copa do Brasil e a Série B para serem pensadas depois.
O último bicampeonato estadual levantado pelo Paysandu (2009/2010) ficou marcado na memória do torcedor do Papão. Mais ainda, agora, em função do acidente aéreo que matou quase todo o time da Chapecoense-SC, entre eles o atacante Bruno Rangel, um dos heróis da façanha bicolor em 2010. O saudoso atleta passou pela Curuzu deixando sua marca de goleador, assinalando 8 dos 44 gols marcados pelo time, cujo principal goleador, naquele ano, foi Moisés, também artilheiro do Parazão.
Rangel, que era natural da cidade de Campos de Goytacaz, foi trazido para o futebol paraense pelo técnico Charles Guerreiro, que, inicialmente, o dirigiu no Ananindeua e, depois, no Paysandu. “Quando fui para a Curuzu levei o Bruno, que havia apresentando um rendimento bastante favorável na época em que estivemos juntos no Ananindeua. Conquistamos o bicampeonato, que ficou para a história do clube. Infelizmente agora ele já não está mais entre nós para lembrar daquela campanha”, comentou Guerreiro, que dirigiu o Papão em 13 jogos em 2010. Nas outras 7 partidas, o time teve o comando de Luis Carlos Barbieri.
(Nildo Lima/Diário do Pará)
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