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ESPORTE PARÁ

Projeto esportivo foca em jovens com deficiência

Quando Sandra Regina Paulino, com apenas 10 anos, sofreu atropelamento por um ônibus, por pouco não perdeu a vida. Entre cirurgias, internação e tratamento de sequelas, ela permaneceu quase 3 meses no hospital e precisou amputar a perna direita. O retorno

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Quando Sandra Regina Paulino, com apenas 10 anos, sofreu atropelamento por um ônibus, por pouco não perdeu a vida. Entre cirurgias, internação e tratamento de sequelas, ela permaneceu quase 3 meses no hospital e precisou amputar a perna direita. O retorno após o acidente foi difícil. Sem a perna e com o corpo ainda marcado por cicatrizes, a jovem passou um período longo reclusa. Mas o contato com o professor de educação física Valdir Aguiar, a fez conhecer o Projeto EsPorte Adaptado e lhe ofereceu a oportunidade da prática da natação. Os efeitos do nado na vida da jovem foram mágicos.

Hoje, aos 13 anos, Sandra nada com desenvoltura na piscina da Tuna Luso Brasileira, em Belém, clube que abriu as portas para o projeto do professor Valdir. A ausência da perna direita não parece incomodar nem causar dificuldades. A menina não esconde a alegria “Eu já sabia nadar quando vim pra cá, mas não treinava. Foi como uma retomada para mim e agora sinto que eu nado ainda melhor. Eu antes não pensava em competir. Agora … já estamos considerando”,
comenta a menina.

O PROJETO

O projeto é desenvolvido há 5 anos por Valdir e um grupo de 14 colaboradores voluntários. A Tuna abriu as portes para o projeto e os alunos com deficiências do tipo visual, auditivo, intelectual e paralisia cerebral podem praticar sete diferentes esportes. “A pessoa com deficiência não é uma ‘coitada’, ela tem potencial, tem vontade e quer praticar o esporte”, comenta o professor.. “Mas ela precisa praticar dentro das condições que lhe são impostas. O esporte adaptado propicia isso e, através da prática esportiva, propicia ainda qualidade de vida”, garante.

PROJETO NASCEU DE OBSERVAÇÃO

O professor Valdir começou seu interesse pela área do esporte adaptado antes de entrar para o curso de Educação Física. “Eu era jogador de futebol do Sport Belém e via nas ruas as dificuldades das crianças cadeirantes e com dificuldades de locomoção. Aquilo mexeu comigo”, conta. “Uma amiga me convidou para trabalhar com ela num projeto de paradesporto e isso me estimulou. Foi aí que eu resolvi prestar o vestibular para Educação Física” comenta.

Após formado, Valdir iniciou os trabalhos com um projeto mais ligado ao esporte que praticava – o futebol de 7 para paralisados cerebrais. Na época, a Tuna Luso cedeu o campo para desenvolvimento do esporte. A parceria cresceu e o clube abriu novos espaços para as atividades. “Usamos o ginásio no futebol de 5. Temos o campo para o atletismo e a piscina para natação. O salão da sede é cedido para os treinos de esgrima. Somos seguramente a única equipe de esgrima em cadeira de rodas no Norte do País!” comenta o professor. Por falta de estrutura, no momento, a única categoria de pessoas com deficiência que o projeto não atende é de autistas. Com uma equipe de 14 profissionais, entre professores de Educação Física, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e enfermeiros, o projeto visa dar qualidade de vida ao capacitar e potencializar os atletas. “Procuramos não só ver a qual esporte cada criança se adapta melhor como também se ela tem algum problema de força ou equilibrio que pode ser trabalhado com atividade específica. A criança acaba ficando mais desenvolta.Acaba trazendo alguns ganhos na área emocional também”, comenta.

Caio tem o apoio da avó, Zuri. Diagnóstico de paralisia cerebral não o impede de ser um grande paraatleta (Foto: Daniel Costa)

Não tem paralisia que pare a velocidade de Caio

“Tia, depois que a gente ganha a competição nacional, vem o quê?”, pergunta Caio César Costa Lisboa, 14, enquanto bate os pés na piscina, após algumas voltas. “Depois vem o Internacional. Você quer disputar, Caio?”, questiona Veruska, a professora. “Querer eu quero”, diz Caio se soltando da borda e voltando a nadar. “Mas só se for no atletismo!”, finaliza. Caio foi diagnosticado com paralisia cerebral desde o nascimento. Isso não o impediu de nadar como um peixe e ter um dos dois melhores desempenhos entre os atletas de atletismo. A paralisia o atrapalhou, mas nem de longe foi o principal desafio do
menino no esporte.

Do lado da piscina dona Zuri Chagas Costa, 51, avó do garoto, o observa nadando. Zuri é a família que restou a Caio. Ele perdeu a mãe aos 5 anos, num acidente de moto. O pai nunca conviveu ou participou da criação dele. Da família paterna, os médicos supõem que ele herdou a paralisia. Seu avô faleceu antes mesmo que ele nascesse. “Eu sou a família dele e hoje vivo para criar ele”, explica a avó.

SUPERAÇÃO

Após a morte da mãe Zury abandonou o trabalho na feira para tomar conta de Caio. “Foi muito difícil. Quando ele soube que a mãe tinha morrido ficou muito deprimido. Eu também. Foi uma época em que nós dois fizemos terapia”, relembra Zury. O projeto de esporte adaptado acabou surgindo, como uma alavanca, para retomar a autoestima e alegria do garoto. “Eu na verdade sempre gostei de futebol. Eu acompanhava e torcia muito pelo Paysandu, como ainda torço, mas agora eu também me interesso mais pelos outros esportes. Principalmente o atletismo”, comenta Caio.

ÍDOLOS

Quando pensa em inspiração e ídolos, o menino tem dois. Um com deficiência e outro sem. “Na piscina é o Daniel Dias. Ele é incrível e a forma como ele nada rápido. Gostaria de ser como ele. No atletismom, é o Usain Bolt. Por que o Bolt é o Bolt!”, brinca, sobre o desempenho excepcional do velocista jamaicano.

PROJETO ESPORTE ADAPTADO

- O projeto desenvolve atividades em dois dias da semana - quinta-feira e sábado, das 9 às 11h.
- Informações e inscrições na Secretaria da Tuna Luso, ou pelos telefones 3352-3371/ 3352-3372

(Taion Almeida/Diário do Pará)

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