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Doação de R$ 43 milhões para ONG de Léo Moura gera suspeita

A ONG que leva o nome do jogador recebeu mais de um terço da quantia repassado pelo governo a outros projetos esportivos.

segunda-feira, 17/01/2022, 08:50 - Atualizado em 17/01/2022, 09:59 - Autor: Gerson Nogueira

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O ex-jogador e o presidente tiveram um encontro no Aeroporto de Macapá na sexta-feira (14)
O ex-jogador e o presidente tiveram um encontro no Aeroporto de Macapá na sexta-feira (14) | Foto: Reprodução/Web

O ex-jogador de futebol Léo Moura e o presidente Jair Bolsonaro (PL) tiveram um encontro no Aeroporto Internacional de Macapá na última sexta-feira (14). A ONG (Organização Não Governamental) que leva o nome do jogador foi a que mais recebeu dinheiro público, via governo federal, em 2021. No ano passado, mais de R$ 41,6 milhões do chamado “orçamento secreto” foram destinados para apoiar o Instituto Léo Moura. A ONG recebeu mais de um terço da quantia total repassada pelo governo a projetos esportivos.

Os dados foram revelados em 9 de janeiro pelo jornal O Estado de S. Paulo, que relatou que a ajuda provém de uma proximidade do ex-atleta com políticos aliados de Bolsonaro. Desde 2020, os “padrinhos” dos pagamentos à ONG que mais chama a atenção são o deputado bolsonarista Luiz Lima (PSL-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP), ex-presidente do Senado. Moura é apoiador do atual presidente da República. As imagens do encontro entre o ex-jogador e Bolsonaro, no entanto, ficaram indisponíveis no Instagram na tarde de domingo.

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Segundo especialistas, o dinheiro recebido pela ONG de Leonardo Moura é considerado além do comum. O Ministério da Cidadania, onde atualmente está a Secretaria Especial do Esporte, alega que são repasses obrigatórios e arbitrários de acordo com a decisão dos políticos.

Segundo o Estadão, o Instituto Léo Moura recebeu, apenas entre 2020 e 2021, mais do que as confederações de esportes olímpicos, como a Confederação de Desportos Aquáticos (R$ 9,1 milhões), Ginástica (R$ 8,4 milhões), Vôlei (R$ 8,4 milhões) e Boxe (R$ 7,1 milhões).

Assim como, o valor nas mãos da ONG do ex-atleta é o dobro do montante recebido pela Confederação Brasileira do Desporto Escolar (CBD), que é a segunda colocada, com R$ 27,5 milhões. Ao jornal, o ex-jogador disse se sentir “abençoado por ter sido agraciado com essas verbas e estar podendo ajudar muitas crianças”:

“Sempre tive o sonho de fazer esses projetos sociais. Tirei do papel para poder começar esse trabalho no Rio e hoje, graças a Deus, a gente está podendo expandir em nível nacional”. Em seu site, o Instituto Léo Moura informa que “é entidade sem fins lucrativos, que atua na formulação, planejamento e execução de projetos sociais que tenha como metodologia a Educação pelo Esporte”.

A ONG afirma já atendeu 10 mil crianças e adolescentes, de 5 a 15 anos, desde a inauguração de sua primeira unidade, em 2013. Atualmente, a ONG conta com mais de 25 unidades espalhadas pelo estado do Rio de Janeiro.

Há pelo menos nove anos, Leo Moura, ex-jogador de futebol com passagens destacadas por Flamengo e Grêmio, entre outros clubes, recebe recursos públicos para manter escolinhas de futebol no estado do Rio. Segundo o blog Olhar Olímpico, do UOL, desde 2020, essas escolinhas foram turbinadas com recursos de emendas de Luiz Lima.

Até então chamado “Escolinha de Futebol e Cidadania”, o projeto foi renomeado para “Passaporte para a Vitória” e já recebeu mais de R$ 25,5 milhões para seus núcleos no Rio. Ainda que toda a comunicação do projeto no Rio use a imagem de Luiz Lima, o deputado alega que só é o padrinho de convênios que somam R$ 10,4 milhões. (Transcrito do UOL)

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