A possibilidade de seleções europeias ficarem fora da Copa do Mundo de 2026 passou a ganhar força nos bastidores do futebol alemão depois que um dos principais dirigentes da federação do país defendeu a abertura de um debate sobre boicote ao torneio.
O vice-presidente da Federação Alemã de Futebol (DFB), Oke Gottlich, relacionou o momento político nos Estados Unidos às decisões esportivas, afirmando que o cenário atual é mais delicado do que outros períodos de tensão vividos pelo esporte internacional.
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"Na minha avaliação, a ameaça potencial agora é maior do que era então. Temos de discutir isto", destacou ao jornal alemão Hamburger Morgenpost.
Segundo ele, eventos esportivos já foram impactados por conflitos políticos no passado, como ocorreu nas Olimpíadas da década de 1980, e não deveriam ignorar situações semelhantes no presente.
A discussão ganhou apoio entre parlamentares alemães, que passaram a citar o boicote como alternativa caso o presidente Donald Trump leve adiante medidas que afetem diretamente países europeus, incluindo disputas territoriais e barreiras comerciais.
Em meio à pressão, o governo da Alemanha optou por não interferir e reforçou que a decisão cabe apenas às entidades esportivas.
"Essa avaliação, portanto, cabe às federações envolvidas, neste caso a DFB e a Fifa. O governo federal acatará a decisão delas", afirmou a secretária de Estado do Esporte, Christiane Schenderlein.
Além de defender o debate sobre o boicote, Gottlich apontou uma contradição no comportamento das entidades esportivas ao longo dos últimos anos. Para ele, decisões são tomadas conforme a conveniência do momento, sem um critério claro quando política e esporte se cruzam.
O dirigente questionou por que, em determinadas situações internacionais, federações e ligas se posicionam de forma firme, enquanto em outros cenários semelhantes optam pelo silêncio, evitando estabelecer limites ou defender valores que antes eram tratados como inegociáveis.
"O Catar era demasiado político para todos, e agora somos completamente apolíticos? É uma coisa que me incomoda verdadeiramente. Como organizações e como sociedade, esquecemos de como estabelecer tabus e limites e como defender valores.
Na sequência, o vice da federação aprofundou o argumento e foi além das críticas iniciais, levantando reflexões sobre até que ponto o esporte deve se manter neutro diante de conflitos e ameaças internacionais.
Segundo ele, é preciso entender em que momento situações graves ultrapassam o limite da normalidade e exigem uma resposta mais firme das instituições esportivas.
"Gostaria de saber, da parte de Donald Trump, quando é que atingiu o seu limite, e gostaria de saber, da parte de Bernd Neuendorf (presidente da Federação Alemã de Futebol), e Gianni Infantino (presidente da FIFA)", finalizou.
A Copa do Mundo de 2026 será disputada nos Estados Unidos, Canadá e México a partir de 11 de junho e a maior parte dos jogos será em solo americano.
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