Sem gols, é muito possível que a Argentina fique fora da Copa do Mundo pela primeira vez desde 1970. A equipe precisa marcar hoje (10), às 20h30, em Quito, contra o Equador. Este tem sido o grande problema da seleção: Messi não tem parceiros fixos no ataque para jogar.
Desde o início das eliminatórias, já foram usados 11 atacantes ao lado do astro do Barcelona. Nenhum teve sucesso. Diante do Equador, Darío Benedetto, artilheiro do Boca Juniors, será titular, como já havia acontecido no empate em 0 a 0 com o Peru, na última quinta (5).
Messi teve de jogar no ataque, além de Benedetto, com Tevez, Lavezzi, Correa, Aguero, Lamela, Dybala, Higuaín, Pratto, Alario e Icardi. O valor de mercado das últimas negociações envolvendo esses 11 atacantes chega a R$ 1,7 bilhão.
“O treinador tem de fazer os jogadores acreditarem no que ele diz. Que aquele esquema tático para o ataque é o melhor. O atual técnico da Argentina [Jorge Sampaoli] consegue isso? Vamos ver”, afirma Carlos Bilardo, que comandou a seleção no título mundial de 1986 e no vice quatro anos depois.
Em 17 jogos nas eliminatórias, a Argentina tem 16 gols marcados. Só não é o pior ataque da competição porque a Bolívia fez 14. Desses atacantes, o único que fez mais de um gol foi Pratto (dois). Lavezzi e Higuaín anotaram uma vez cada. Messi (quatro) é o artilheiro.
“ENGACHE”
Os problemas ofensivos esbarram na falta de um meia criativo, o que não impediu a equipe de chegar à final da Copa do Mundo de 2014. Mas isso aconteceu porque Alejandro Sabella mudou o esquema da seleção no meio do torneio e enfatizou a defesa.
“Leo me confessou que nunca correu tanto assim. A perna dele pesava uns 100 quilos”, disse o pai do atacante, Jorge Messi, ao jornal Folha de S.Paulo durante a Copa de 2014.
A Argentina não tem como privilegiar a marcação diante do Equador. Precisa marcar gols. Nas últimas quatro rodadas das eliminatórias, a seleção anotou apenas uma vez, diante da Venezuela, em Buenos Aires. E foi um gol contra, do lateral Feltscher.
Sem companheiros criativos, Messi tem de buscar a bola para criar jogadas e chegar no ataque para finalizar.”Estes últimos dez anos [no futebol] foram de Messi. Mas ele precisa ganhar um Mundial”, disse o presidente da Fifa, Gianni Infantino.
Entenda os cenários que eliminam ou classificam os argentinos
- Se vencer: para terminar entre os quatro primeiros colocados das Eliminatórias e carimbar a vaga direta ao Mundial, a Argentina não depende mais só de si. Tem que vencer o Equador e torcer por um dos seguintes cenários: derrota ou empate do Chile diante do Brasil, no Allianz Parque; empate entre Peru e Colômbia; ou vitória do Peru sobre a Colômbia por uma diferença de gols menor que a da vitória argentina.
- Se empatar: já se empatar com o Equador, a Argentina ainda pode conquistar a vaga direta. Neste caso, dependeria de uma vitória do Brasil sobre o Chile por dois ou mais gols, aliada a uma vitória da Colômbia sobre o Peru (ou uma vitória do Peru sobre a Colômbia por dois ou mais gols de diferença). Além disso, o Paraguai não pode vencer a eliminada Venezuela em casa.
- Se perder: caso perca, a Argentina não tem como conquistar a vaga direta.
PARA IR À REPESCAGEM
- Se vencer: a Argentina pode ainda terminar na quinta colocação, o que a mandaria para a repescagem contra a Nova Zelândia, campeã da Oceania, por uma vaga na Copa. Para isso acontecer, basta vencer o Equador. A vitória em Quito, na pior das hipóteses, joga os argentinos para a repescagem.
l Se empatar: já se empatar com os equatorianos, a Argentina precisa novamente torcer por resultados favoráveis em outros jogos. Dependeria da combinação de dois dos seguintes quatro cenários: derrota do Chile por dois ou mais gols contra a seleção brasileira; vitória da Colômbia sobre o Peru; vitória do Peru por dois ou mais gols de diferença contra a seleção colombiana; tropeço do Paraguai contra a seleção da Venezuela.
- Se perder: mesmo se perder em Quito, para o Equador, a Argentina ainda pode ir à repescagem, mas a combinação é bem mais improvável. Para isso, o Peru precisa perder da Colômbia por uma diferença de gols superior à da derrota argentina para o Equador, e o Paraguai novamente tem que tropeçar em casa contra a Venezuela.
(FolhaPress)
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