Passageiros de carros elétricos podem sentir enjoo durante os trajetos, especialmente quando não conseguem acompanhar visualmente os movimentos do veículo. O problema, porém, não é exclusivo dos modelos elétricos. Trata-se da cinetose, conhecida popularmente como enjoo de movimento.
Segundo o clínico geral e especialista em saúde integrada Marcelo Bechara, o desconforto surge quando o cérebro recebe informações diferentes sobre o movimento do corpo.
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O sistema vestibular, localizado no ouvido interno, identifica acelerações, frenagens e curvas. Ao mesmo tempo, os olhos podem transmitir a impressão de que o corpo está parado quando a pessoa observa o interior do carro ou utiliza uma tela.
“Essa diferença pode desencadear enjoo, suor frio, tontura e até vômitos”, explica Bechara.
Por que o carro elétrico pode favorecer o enjoo?
Algumas características dos veículos elétricos podem contribuir para o desconforto em pessoas mais suscetíveis. Uma delas é o baixo nível de ruído produzido pelo motor.
Em um carro convencional, o som do motor pode ajudar o passageiro a perceber antecipadamente uma aceleração. Nos elétricos, essa referência sonora é muito menor.
“O som do motor fornece pistas de que o carro está acelerando. Em um elétrico mais silencioso, parte dessas pistas diminui”, afirma o especialista.
Bechara ressalta, entretanto, que o silêncio não deve ser considerado uma causa isolada da cinetose.
Outro fator é a resposta mais rápida ao acelerador. Mudanças bruscas de velocidade podem aumentar a sensação de desconforto, principalmente em pessoas que já têm predisposição ao enjoo.
A frenagem regenerativa também pode contribuir. Em determinados veículos, retirar o pé do acelerador provoca uma desaceleração perceptível.
“Quando essas transições são repetidas ou pouco suaves, podem incomodar pessoas suscetíveis”, diz o médico.
Banco traseiro pode aumentar o desconforto
O lugar ocupado pelo passageiro dentro do veículo também influencia. No banco traseiro, a visão da estrada costuma ser mais limitada, dificultando a percepção antecipada das curvas e mudanças de velocidade.
Já quem está dirigindo tende a apresentar menos sintomas porque participa diretamente do controle do veículo e consegue antecipar seus movimentos.
Celular pode piorar o enjoo
O uso do celular durante o deslocamento é outro fator que pode intensificar a cinetose.
Quando os olhos permanecem concentrados em uma tela, eles recebem a informação de que a imagem está estável, enquanto o ouvido interno identifica que o corpo está em movimento. Esse desencontro pode aumentar o mal-estar.
“O ideal é olhar para a estrada à frente ou para um ponto distante, permitindo que a visão acompanhe o movimento percebido pelo corpo”, orienta Bechara.
Como evitar o enjoo durante a viagem?
Algumas atitudes podem ajudar a diminuir as chances de apresentar sintomas de cinetose:
- Para adultos, preferir o banco dianteiro;
- Manter o ambiente interno fresco e ventilado;
- Evitar refeições muito pesadas antes da viagem;
- Não consumir álcool antes do trajeto;
- Fazer pausas durante viagens longas;
- Evitar celular, tablet e leitura durante o deslocamento;
- Priorizar acelerações, frenagens e curvas suaves.
Cinetose também ocorre em carros convencionais
O enjoo de movimento pode aparecer em diferentes meios de transporte, incluindo carros elétricos, veículos a combustão, ônibus, barcos e aviões.
Por isso, sentir desconforto em determinado carro elétrico não significa que todos os modelos desse tipo provoquem mais enjoo do que os veículos convencionais.
“O fato de alguém sentir enjoo em determinado elétrico não permite concluir que todos os carros elétricos provoquem mais sintomas do que os convencionais”, afirma Bechara.
Caso os episódios sejam frequentes, intensos ou interfiram nas atividades do dia a dia, a recomendação é procurar avaliação médica.
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