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Voltas às aulas: desafios, acolhimento e ressocialização

Pediatra e psicóloga explicam os cuidados necessários para um retorno seguro e saudável, principalmente para as crianças, na voltas às aulas presenciais.

terça-feira, 03/08/2021, 09:17 - Atualizado em 03/08/2021, 10:05 - Autor: Andressa Ferreira


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| Reprodução

Maria Laura iniciou a fase escolar aos três anos. Um mundo novo para ela, cheio de descobertas e desafios. Nova rotina, adaptação com os professores, conhecendo novos amiguinhos. Dois meses após o início das aulas, quando tudo parecia se encaixar, o susto: aulas presenciais interrompidas!

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Se foi difícil para um adulto assimilar tantas mudanças ao mesmo tempo, imagine só para uma criança tão pequena. Maria, assim que como muitas outras crianças, teve que se adaptar às aulas online, e a mãe Catarina Rodrigues, 38 anos, entrevistadora social (CadÚnico/Bolsa Família), lembra que não foi uma tarefa fácil.

“Muito tempo em casa, isolada dos amiguinhos, as aulas online não surtiram muito efeito, já que ela não se concentrava direito”, explica a mãe.

A pequena Maria, que a mãe optou por manter em casa durante o primeiro semestre, agora se prepara para retornar às aulas presenciais.

“Senti que ela estava regredindo e que estava didaticamente muito atrasada. Mas, hoje já inicia. Vamos fazer um teste, já que mais uma vez, a escola me passou a segurança para o retorno presencial”, justifica Catarina.

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Novos procedimentos de entrada e saída, uso de máscaras, higienização das mãos estão entre as medidas já conversadas pela mãe com a filha como forma de minimizar os riscos. Apesar da pouca idade, Maria faz parte de uma geração já habituada e orientada sobre os cuidados necessários.

“Assim como muitas crianças, a Maria está sempre com máscara e fazendo a higienização das mãos e dos objetos. Sempre muito consciente”, finaliza a mãe orgulhosa.

 

 Maria faz parte de uma geração já habituada sobre os cuidados com a higiene.
Maria faz parte de uma geração já habituada sobre os cuidados com a higiene. | Arquivo Pessoal
 

Especialistas apontam que o longo período de afastamento das escolas traz prejuízos não só socioemocionais, mas de aprendizagem às crianças e jovens, principalmente entre os mais vulneráveis. Mas, do ponto de vista da área saúde, esse retorno presencial é realmente seguro? O pediatra Alfredo Vicente, graduado pela Universidade Federal do Pará (UFPA), que também é pai da Flora, explica que sim, desde que “medidas adequadas de distanciamento físico e higiene sejam aplicadas”.

O pediatra reforça que estudos apontam que a transmissão de criança para criança nas escolas seja incomum e não a principal causa de infecção por SARS-CoV-2 em crianças. É improvável que as escolas sejam ambientes de propagação mais significativos que outros ambientes ocupacionais ou de lazer com densidades semelhantes”, justifica.

 

Pediatra alerta para a saúde e reforça a segurança das crianças no retorno às aulas presenciais.
Pediatra alerta para a saúde e reforça a segurança das crianças no retorno às aulas presenciais. | Arquivo Pessoal
 

Segundo Alfredo, a maioria das crianças tem quadro leve ou assintomático e, casos graves em pequenos são raros. “As crianças e adolescentes representam menos do que 1% da mortalidade e respondem por 2 - 3% do total das internações. Cerca de 1 a 7% dos casos de covid-19 relatados ocorrem entre crianças. Poucos têm sido os casos graves de síndrome inflamatória multissistêmica em crianças e adolescentes relatados no Brasil”, ressalta.

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O pediatra também recomenda aos pais, que ensinem as crianças “atividades práticas desde casa sobre a lavagem correta das mãos, etiqueta social e a importância do uso de máscara, de modo lúdico, compreendendo que se trata de defesas contra algo ruim”. Outra dica do especialista, é quanto ao planejamento dos materiais que serão levados à escola, “com preparação de um kit de higienização, máscaras extras, alimentos embalados individualmente e informações de contato e de saúde, de fácil localização para os colaboradores da escola”.

Suspeita de gripe ou covid-19: como agir?

Pouca chuva e tempo mais ensolarado. Alfredo alerta para as condições climáticas, que podem ocasionar gripes. Ele também alerta para as doenças gastrointestinais, que podem apresentar sintomas parecidos com os da SARS-CoV-2.

“Quando um estudante ou profissional da escola apresentar qualquer sintoma que possa ser atribuído à covid-19, este deverá ser encaminhado a buscar orientação médica. Se doentes, não devem frequentar a escola; professores e alunos do grupo de risco devem permanecer em casa, com garantia de ensino remoto eficaz”, reforça o pediatra.

 

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Atenção à saúde mental

A psicóloga Gabriela Remígio, especialista em psicologia clínica – psicanálise, explica que a saúde mental das crianças é algo que merece muito atenção, principalmente nesse primeiro momento, observando possíveis comportamentos atípicos ou dificuldades de adaptação.

“Nesse retorno à escola, as crianças encontrarão um “novo” ambiente escolar, onde terão que se adaptar e aprender a se relacionar com todas as questões que remodelaram o comportamento a partir da pandemia. É importante lembrar ainda que, cada criança tem uma forma de reagir às mudanças, pois cada uma possui seu arranjo familiar, sua constituição psíquica e está inserida em um determinado contexto”, alerta ela.

Gabriela ressalta para as relações e os comportamentos das crianças e de suas famílias, afetadas pela pandemia, destacando para o aumento de atendimentos, no contexto clínica, de crianças com sintomas de ansiedade, depressão, mudanças nos hábitos alimentares, insônia, aumento da irritabilidade e dependência de uso de aparelhos eletrônicos, com prejuízos que impactam diretamente no aprendizado e, principalmente na interação social.

 

Psicóloga reforça para atenção redobrada dos pais, neste primeiro momento de retorno às aulas presenciais.
Psicóloga reforça para atenção redobrada dos pais, neste primeiro momento de retorno às aulas presenciais. | Arquivo Pessoal
 

O primeiro passo, segundo a psicóloga, é que os pais também estejam cuidando da saúde bem, já que “estar bem emocionalmente, fará toda a diferença no auxílio que darão aos seus filhos”. Segundo ela, “a forma como as crianças entendem o que está acontecendo, tem relação direta com a forma com que os pais lidam com a situação”.

O segundo ponto na visão da especialista, é entender que as “alertam de algo, e nos trazem aprendizados, mesmo que algumas emoções não sejam tão agradáveis de sentir”.

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“Escute o que a sua criança tem a dizer com toda a atenção; ajude a nomear o que ela sente, acolha a emoção que ela traz e busque não julgar; permita que a criança pense em soluções para as suas próprias dificuldades e ofereça apoio, mostrando que você está com ela para pensar em novas possibilidades. Recursos lúdicos são ótimas opções para abordar essas questões. Utilize músicas, jogos, atividades de fixação, brinquedos, desenhos e filmes, pergunte para a criança como ela acredita que o personagem se sentiu em determinada situação, o que faria se estivesse no lugar dele... Tenha empatia pela emoção expressada por ela e não perca uma oportunidade de deixá-la saber o quanto você a ama. Criando esse espaço de consideração, amor e diálogo, seu filho se sentirá emocionalmente preparado para esse retorno e para outras mudanças que terá que enfrentar na vida”, garante a psicóloga.

Retorno saudável

Mas, afinal, como ajudar a criança para que seja um retorno saudável? O primeiro passo para ajudar na readaptação escolar, segundo a psicóloga, é conversar abertamente sobre o assunto.

“Comece convidando a criança para conversar sobre o assunto. Fale sobre a pandemia e sobre as mudanças que ocorreram a partir dela. Use uma linguagem adequada a faixa etária e, pergunte a criança como ela se sente. Seja um bom ouvinte. Recursos lúdicos também podem facilitar as explicações. Não tenha medo de mostrar que você também tem fragilidades, que não tem todas as respostas para os imprevistos e problemas que a vida nos impõe, mas que estará ao lado da criança para ajudá-la a enfrentar as mudanças e assim aprenderem juntos”, recomenda Gabriela.

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Além de uma boa conversa e acolhimento, a psicóloga reforça a importância do brincar.

“Brincar é a linguagem da criança. Através de atividades lúdicas, você ajuda a criança a expressar suas emoções, angústias, medos e frustrações, fortalecendo o vínculo afetivo e ajudando-a desenvolver competências e habilidades importantes, como raciocínio, imaginação, memória, atenção, concentração e interação”, explica Gabriela.

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A especialista também reforça a necessidade de um tempo de qualidade para a criança, com atenção concentrada a ela.

“Crianças cujos pais dispõe desse tempo exclusivo, sentem-se mais fortes emocionalmente, se tornando mais resilientes, o que permitirá a essa criança maior confiança e melhor adaptação a este ‘novo’ ambiente escolar. Você pode exercer esse tempo de qualidade, em casa mesmo, buscando atividades que possam realizar juntos, como a preparação de um lanche, por exemplo. Lembrando que o tempo de qualidade, aqui sugerido, trata-se de buscar momentos na sua rotina para dar maior atenção a seu filho”, finaliza a psicóloga.  

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