Drauzio Varella resolveu falar sobre a crise sanitária provocada pela pandemia novo coronavírus no Brasil em entrevista ao jornal inglês The Guardian. Durante a entrevista, o médico criticou o governo Bolsonaro pelas atitudes em meio à pandemia da covid-19, falando em "tragédia". Até agora, o vírus já matou 34.021 pessoas.
"Eu acho que a história vai atribuir a ele um nível de culpa que realmente eu jamais gostaria de ter para mim mesmo", disse Drauzio, que afirmou sentir que "nosso país está passando por uma tragédia, e que essa tragédia está sendo tornando muito pior por causa da pobreza" no Brasil.
O médico citou o aumento de casos a cada dia no país. "Nós já somos o terceiro país do mundo em números de óbitos, nós em breve seremos o segundo, e nós estamos nos aproximando do nível de mortalidade dos Estados Unidos, que tem 330 milhões de habitantes, isso é 60% a mais que que a população do Brasil", afirmou.
Drauzio criticou a reabertura da economia. "A verdade é que nós estamos relaxando (a quarentena) em um ponto no qual o número de casos está em plena (curva) ascendente, sem nenhuma segurança", afirmou o médico.
"Nós vamos pagar o preço pelo que está acontecendo agora, tendo mais pessoas nas ruas, aglomerações. Em duas ou três semanas o número de casos vai aumentar. Não há mágica nisso. Não há solução ou algo que indique que o Brasil vai ser diferente", acrescentou.
Falando sobre o governo de Jair Bolsonaro, Drauzio lamentou a resposta desde o começo da pandemia.
"Nosso país teve tempo para se preparar para a epidemia e não se preparou. E quando a epidemia chegou, embora tenha tomado algumas medidas de isolamento que poderiam ter tido um impacto, isso foi torpeado pelo governo federal", disse.
Na opinião do médico a administração federal enviou "sinais conflitantes" à população, e criticou o discurso de que a crise econômica e a fome causariam mais mortes que o coronavírus. "Essa é uma visão ridícula", disse Drauzio.
"E isso criou uma perspectiva muito difícil para o país, e nós estamos agora colhendo os resultados dessa política de antagonismo, de politização da epidemia, que é a pior situação possível", concluiu.
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