Em mais um recuo após anunciar uma medida, o Governo Bolsonaro divulgou na noite desta sexta-feira (28) o "desbloqueio" de R$ 60 milhões destinados para o combate ao desmatamento na Amazônia.
Cerca de três horas antes, o Ministério do Meio Ambiente afirmou que os recursos estariam suspenso a partir da próxima segunda-feira (31). O recurso representava o repasse de verbas ao Ibama e ao ICMBio, e interromperia todas as operações de combate ao desmatamento ilegal na Amazônia Legal, bem como todas as operações de combate às queimadas no Pantanal e demais regiões do País.
"O Ministério do Meio Ambiente informa que na tarde de hoje houve o desbloqueio financeiro dos recursos do IBAMA e ICMBIO e que, portanto, as operações de combate ao desmatamento ilegal e às queimadas prosseguirão normalmente", diz a nota atualizada.
De acordo com o Ministério comandado por Ricardo Salles, a decisão de bloquear os recursos, na casa dos R$ 60 milhões, havia sido decisão da Secretaria de Governo/SEGOV e da Casa Civil da Presidência da República, e se soma à redução de outros R$ 120 milhões já previstos como corte do orçamento na área de meio ambiente para o exercício de 2021.
Após a divulgação do bloqueio, o vice-presidente Hamilton Mourão afirmou que Salles havia sido "precipitado", e que o corte não ocorreria. Depois, Salles afirmou que "Não é verdade. Já estava bloqueado e eles desbloquearam agora. Mas não vou ficar discutindo com o vice-presidente, que respeito muito. Eles desbloquearam depois da nota", em entrevista à Globo.
O bloqueio iria retirar 1.346 brigadistas, 86 caminhonetes, 10 caminhões e 4 helicópteros utilizados no combate aos incêndios. Já no combate ao desmatamento ilegal, seriam desmobilizados 77 fiscais, 48 viaturas e 2 helicópteros.
No âmbito do ICMBio, nas operações de combate ao desmatamento ilegal seriam desmobilizados 324 fiscais, além de 459 brigadistas e 10 aeronaves Air Tractor que atuam no combate às queimadas.
As queimadas na Amazônia irão encerrar o mês de agosto acima da média histórica mensal, algo inédito até então, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Além disso, o Pantanal também enfrenta condição crítica, com o segundo pior índice de queimadas já registrado, atrás somente do recorde de 2005.
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