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JACAREZINHO

Operação policial deixa 25 mortos no Rio de Janeiro

Incursão à comunidade do Jacarezinho ocorre menos de uma semana depois da posse definitiva do governador Cláudio Castro (PSC), que assumiu após o impeachment de Wilson Witzel (PSC)

quinta-feira, 06/05/2021, 14:20 - Atualizado em 06/05/2021, 15:59 - Autor: Com informações de Herculano Barreto Filho e Marcela Lemos, do UOL


Imagens feitas por helicóptero de rede de TV mostram homens pulando lajes e invadindo casas de moradores para tentar fugir da polícia
Imagens feitas por helicóptero de rede de TV mostram homens pulando lajes e invadindo casas de moradores para tentar fugir da polícia | Reprodução - YouTube

Em agosto do ano passado, o plenário do STF determinou a suspensão da realização de incursões policiais em comunidades do Estado do Rio de Janeiro enquanto perdurar o estado de calamidade pública decorrente da pandemia da Covid-19.

Apesar da decisão da Suprema Corte, o dia 6 de maio de 2021 ficará marcado por uma das operações mais letais da polícia do Rio: ao menos 25 pessoas morreram durante uma operação da Polícia Civil na comunidade do Jacarezinho, zona norte da capital fluminense. Dentre os mortos há um policial, baleado na cabeça.

Cláudio Castro assume governo após impeachment de Witzel

A identidade dos mortos não foi divulgada pelas autoridades de segurança. Outros dois policiais foram feridos na perna e de raspão no braço. Até o começo da tarde, havia confronto na região. 

No metrô que cruza a região dois passageiros ficaram levemente feridos ao serem atingidos dentro de uma composição, perto da estação Triagem.

Os feridos no metrô foram identificados como Humberto Duarte, 20, levado para o Hospital Souza Aguiar, e Raphael Silva, 33, socorrido no Hospital Salgado Filho. Segundo as unidades de saúde, Duarte tem estado de saúde estável, enquanto Silva saiu da unidade mesmo sem alta médica.

A investigação teve início a partir de informações repassadas à DPCA (Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente) de que traficantes vêm aliciando crianças e adolescentes para integrar a facção que domina o território, o CV (Comando Vermelho).

Segundo a Polícia Civil do Rio de Janeiro, a operação “Exceptis” foi deflagrada a partir de denúncias de que criminosos estão expulsando moradores de suas casas. O grupo seria responsável também pelo assassinato de moradores e pelo sumiço dos corpos.

De acordo ainda com as denúncias, a organização criminosa atua ainda no sequestro de trens da Supervia, roubos a transeuntes e roubo de cargas. Vinte e um criminosos foram identificados como os "responsáveis por garantir o domínio territorial da região com utilização de armas de fogo", informou a Polícia Civil.

Durante a ação, o Globocop da TV Globo mostrou homens pulando de laje em laje e invadindo casas de moradores para tentar fugir da polícia.

Segundo a polícia, o policial morto durante a operação foi identificado como André Leonardo de Mello Frias e era da Dcod (Delegacia de Combate as Drogas). Os outros dois policiais que foram feridos atuam da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais) e na Dcod. Em nota, a Secretaria Estadual de Polícia Civil disse que "se solidariza com amigos e familiares, e sente muito a dor pela morte do inspetor que teve uma trajetória ilibada na instituição, sendo admirado e respeitado por todos. Ele honrou a profissão que amava e deixará saudade. Mas também deixa o sentimento de que o trabalho não pode parar”.

A região do Jacarezinho é considerada um dos quartéis-generais do CV (Comando Vermelho). "Em razão da dificuldade de se operar no terreno, por conta das barricadas e das táticas de guerrilha realizadas pelos marginais, o local abriga uma quantidade relevante de armamentos, que seriam utilizados nas retomadas de territórios perdidos para facções rivais ou para se reforçar de possíveis investidas policiais", explicou a polícia.


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