O Hospital Pérola Byinton, na região central de São Paulo, é uma referência no aborto legal de vítimas de estupro. No entanto, um caso envolvendo extremistas religiosos dentro da unidade veio à tona nos últimos dias.
Um grupo de religiosas teria distribuído bíblias para vítimas de violência sexual. O caso foi denunciado por uma das vítimas de estupro, que se preparava para realizar uma ultrassonografia quando foi abordada pelas religiosas.
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Segundo a parlamentar Sâmia Bonfim (Psol), a ação das trabalhadoras do local teria acontecido na fila do ultrassom e, juntamente com o livro cristão, também teriam sido entregues absorventes.
Sâmia protocolou um ofício ao hospital para que seja esclarecido a situação realmente aconteceu. Para ela, se a denúncia for verdadeira, o hospital terá obrigação de dizer quais serão as medidas tomadas pela administração diante do ocorrido.
No documento, ela lembra que é frequente o assédio de grupos religiosos contrários ao aborto contra pacientes e funcionários do hospital. Em 2019, foram feitas vigílias de orações a fim de dissuadir mulheres que buscam os serviços da instituição de saúde, o que gerou conflitos e até casos de violência física.
À época, Sâmia e a deputada estadual Mônica Seixas, também do PSOL, encaminharam uma denúncia ao Ministério Público para investigar a ação desses grupos.
Em nota, a secretaria de estadual de saúde de São Paulo informou que o hospital “lamenta o desconforto e repudia qualquer atitude contrária à liberdade de consciência e de crença quanto ao caráter laico de instituições públicas, previstos em Constituição”.
Para que situações como a divulgada pela deputada não aconteçam mais, o órgão informou que a direção da instituição de saúde se reuniu com profissionais e voluntários, “reforçando a obrigatoriedade do cumprimento das normas estabelecidas pelo serviço, que respeita as escolhas individuais de suas usuárias”.
O hospital disse ainda que não permite a distribuição de panfletos ou livros e considera inadmissível qualquer coação às pacientes.
Segundo a direção, a ação dos funcionários ocorreu no setor de ultrassom, que atende pacientes acompanhadas por diversas frentes de atendimento, incluindo a Oncologia e mulheres assistidas no Ambulatório de Violência Sexual do Programa Bem me Quer.
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