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CPI DA COVID

Saúde usou a Hapvida para propagar o "Kit Covid"

Com base em “impressão clínica”, o executivo da operadora anunciou que estudos mostravam que pacientes submetidos ao "kit Covid" tinham 60% menos chances de internação.

sexta-feira, 08/10/2021, 16:24 - Atualizado em 08/10/2021, 16:24 - Autor: Com informações O Globo


Remédios do chamado "kit Covid"
Remédios do chamado "kit Covid" | Foto: Dirceu Portugal/Fotoarena / Agência O Globo

Em meio aos avanços das investigações da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid, um vídeo gravado em julho do ano passado aponta que as empresas investigadas pelos senadores, como a operadora de plano de saúde Hapvida, atuaram de forma alinhada ao governo federal na prescrição de remédios sem eficácia comprovada contra a Covid-19.

De acordo com o jornal "O Globo", o vídeo mostra a secretária de Gestão e Trabalho do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, conhecida como “Capitã Cloroquina”, participando de uma reunião virtual com o médico Anderson Nascimento que é superintendente nacional da Hapvida, além de representantes da Unimed e de Fortaleza e de conselhos de Medicina. Na ocasião, ela defendeu o uso do chamado “Kit Covid”.

No vídeo, gravado após a Organização Mundial da Saúde (OMS)  determinar a suspensão de dois estudos sobre a hidroxicloroquina - droga utilizada no Kit Covid , o diretor da Hapvida disse possuir estudos clínicos da própria operadora de saúde demonstrando que os pacientes que haviam sido submetidos ao tratamento tinham 60% menos chances de internação.

“Depois da tomada de decisão e do desenho do protocolo, decidimos de uma forma pioneira distribuir kit Covid. Chegamos a distribuir mais de 25 mil”, diz Nascimento no vídeo.

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Ao ouvir o relato do médico, Mayra comentou estar animada pelo “exemplo” da Hapvida . “Aqueles que se negam a disponibilizar às pessoas um medicamento distribuído pelo Ministério da Saúde serão em breve cobrados pelo não exercício de cidadania, por improbidade e omissão de socorro” afirmou ela na ocasião. 

A reportagem destaca, ainda, que a médica Nise Yamaguchi, apontada pela CPI como integrante do “gabinete paralelo “ da saúde elaborou uma série de slides defendendo o uso do Kit que foi utilizado pela Hapvida para difundir o tratamento precoce. Recentemente, porém, a operadora divulgou uma nota afirmando que não prescreve mais os remédios sem eficácia comprovada contra a doença. 

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