Um homem congolês identificado como Moïse Mugeny Kabagambe foi espancado até a morte na noite do dia 24 de Janeiro, o crime aconteceu no Quiosque Tropicália, na barra da Tijuca, zona Oeste do Rio de Janeiro. Um dos agressores confessou a agressão: "A gente não queria tirar a vida de ninguém, nem porque ele era negro ou de outro país", afirmou ele ao SBT Rio. A Polícia Civil, que não confirmou a versão do acusado, o aguarda para depor na tarde desta terça feira (1/2).
O acusado também disse que tentou se entregar a polícia Civil duas vezes desde a noite do dia 24, mas a Polícia não aceitou: "Disseram que não tinham nada contra mim." Após a entrevista, ele é aguardado na delegacia de homicídios.
De acordo com o acusado, Moisés teria tentado agredir um homem dentro do quiosque e três homens impediram, e começou o espancamento.
Mas a família da vítima nega a versão do acusado e diz que viram as imagens da câmera de segurança Moisés cobrando no quiosque a diária de R$ 200 referente aos dias no local.
O acusado diz que não havia dívida: "Ninguém devia nada a ele. Foi um fato que, no impulso, a gente [agiu]. [A gente] viu ele com a cadeira na mão e foi tentar ajudar o senhor", justificou o homem que admitiu as agressões.
A Polícia Civil ainda não se manifestou sobre as declarações e não divulgou os nomes dos envolvidos e apenas informou que testemunhas foram ouvidas segue com as investigações sob sigilo.
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Noite do Crime
A Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ afirma que o relato de que os órgãos de Moïse foram retirados no IML (Instituto Médico-Legal) não se confirma. O procurador da comissão, Rodrigo Mondego, diz que o mal-entendido foi provavelmente ocasionado por dificuldades na comunicação com a família.
A família de Moïse sustenta que o que levou ao espancamento foi a cobrança pela vítima de R$ 200 no quiosque de praia. Segundo os parentes, o quiosque devia essa quantia a Moïse, que trabalhou no local. Eles relatam que Moïse foi espancado até a morte com pedaços de madeira, além de ter sido amarrado pelos agressores.
As informações sobre o valor das duas diárias cobradas por Moïse e a forma como ele foi morto foram relatadas pela família à Comissão de Direitos Humanos da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), de acordo com a deputada estadual Dani Monteiro (PSOL).
Em nota, a Polícia Civil informou que as câmeras do local foram analisadas. Um primo de Moïse afirma que assistiu às imagens e elas mostram o rapaz sendo espancado. Policiais militares que atenderam à ocorrência na noite de 24 de janeiro produziram um relatório inicial sobre o caso.
No documento, dois PMs afirmam que colheram depoimento de um funcionário do quiosque. A versão do homem é de que foram dois os agressores de Moïse, que o teriam perseguido pela praia e utilizado a escada do quiosque para acessar o calçadão.
De acordo com esse relato, um homem deu uma chave de perna no pescoço de Moïse para imobilizá-lo, enquanto o outro batia com um pedaço de madeira nas costas da vítima.
A versão citada pela família é contudo diferente. À Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ, a família relatou que Moïse foi agredido por quatro homens, e não por dois, após ordem de um funcionário do quiosque. Não está claro, de acordo com as informações iniciais, se o funcionário apontado pela família é o mesmo que atendeu os PMs no dia do crime.
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