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Entenda por que a guerra na Ucrânia pode afetar seu bolso

Preços de diversos produtos já estavam em disparada no Brasil antes do conflito e tendência é que, se a guerra não acabar logo, poderemos ter problemas no orçamento

sábado, 05/03/2022, 09:09 - Atualizado em 05/03/2022, 09:09 - Autor: Denilson D’Almeida e Alexandre Nascimento

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Especialista comenta como a guerra pode afetar a economia brasileira
Especialista comenta como a guerra pode afetar a economia brasileira | Antõnio Melo/Diário do Pará

Se a guerra entre a Rússia e a Ucrânia não chegar ao fim logo, os consumidores paraenses vão sentir, num curto prazo, os impactos deste conflito. O cenário que se avizinha, caso a tensão continue, é de novas disparadas de preços dos alimentos, combustíveis e do gás de cozinha. Ou seja, tudo o que já vinha pesando no bolso poderá ficar ainda pior e as famílias de baixa renda, obviamente, serão as mais prejudicadas.

O economista Roberto Sena, que é supervisor técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos do Pará (Dieese/PA), destaca que para compreender melhor o atual cenário econômico e as projeções futuras é preciso analisar o mercado e a renda das famílias nos últimos anos. O Brasil já enfrentava uma crise que se agravou com a pandemia. “Os preços já vinham disparando e a queda da renda das famílias foi brutal”, pontuou o especialista.

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“Fechamos 2021 com uma inflação de quase 11% e com alguns alimentos tendo reajustes de preços bem acima disso, como a carne, o café, leite”, apontou. “O preço dos combustíveis também aumentou. O gás de cozinha e a energia elétrica seguiram no mesmo ritmo de aumento de valoes”, citou Sena. Ele lembrou ainda que cerca de 70% das famílias paraenses estão endividadas e sem poder abrir linhas de crédito.

“O cenário vinha melhorando no começo deste ano. O Estado do Pará já vinha gerando mais empregos e a gente já projetava uma situação menos desfavorável do ponto de vista da renda das famílias. Agora tudo é incerto”, enfatizou Roberto.

Questionado sobre como a guerra no Leste Europeu pode impactar na vida dos paraenses, o economista reforçou que, por enquanto, o cenário é de incertezas. “Primeiro a gente precisa torcer, rezar, para que este conflito encerre, não perdure por vários dias ou semanas. Porque aí, sim, o consumidor, as famílias, todos vão sentir os efeitos da crise provocada pela guerra”, pontuou.

Boa parte dos alimentos que vão para a mesa dos paraenses vem de outros Estados brasileiros. A extensão do conflito acarretará no aumento do preço do petróleo e consequentemente dos combustíveis derivados (gasolina, diesel e etanol). Logo, os fretes ficarão com os valores ainda mais elevados, influenciando na disparada do preço dos alimentos.

TRIGO

Roberta Sena abriu uma fala específica sobre o trigo. O Brasil ainda importa bastante este produto, que faz parte das commodities (produto de origem agropecuária ou de extração mineral em estado bruto ou pouco industrializado) que poderão sofrer grandes impactos com a guerra. Rússia e Ucrânia são responsáveis por 30% da produção mundial de trigo e, ontem (2), o preço aumentou 13%.

“O nosso pãozinho ficará mais caro”, atentou. “Mesmo que o Brasil busque outros mercados, o preço do trigo vai continuar aumentando. O mesmo pode acontecer com o feijão e com o milho”, esclareceu o supervisor técnico do Dieese/PA. Segundo Roberto, poderá ser um dos impactos a ser sentido pelos consumidores brasileiros a curto prazo. “O Brasil precisa buscar outras alternativas já prevendo uma nova crise que se aproxima”, reforçou.

Consumidor paraense acompanha tudo preocupado

O fato é que, a alta dos preços é uma realidade vivida há muito tempo no Pará, como no resto do Brasil, muito antes da invasão russa à Ucrânia que pode ser muito bem observada nas gôndolas dos supermercados. Uma situação aos consumidores que, quase diariamente, se deparam com aumento não apenas nos produtos alimentícios, mas também nos combustíveis, entre outros serviços.

Ciente de que o comércio envolve relações internacionais, o servidor público Fábio Muniz prever a possível piora nos preços dos alimentos por conta do conflito no Leste europeu, uma vez que a Rússia está inserida, mas está sancionada. “A Rússia é uma grande produtora de trigo, mas como está sancionada os países compradores vão buscar a Argentina e vão comprar o trigo argentino em dólar ou euro, o que vai aumentar o preço ao Brasil e ter consequência nos derivados do trigo aos consumidores”, opinou.

“Essa concorrência entre os países com a sanção imposta à Rússia pode levar a escassez de produção, que vai fazer com que o aumento dos preços dos alimentos seja ainda mais constante. E, a gente não pode esquecer que isso pode se agravar ainda mais se essa guerra se prolongar por muito tempo”, completou Marcelo França, 48 anos, militar.

Diante desse cenário de guerra, a situação vai piorar o que já era ruim, já que a realidade aos consumidores já era de constantes altas. “Os produtos quase todos os dias aumentavam, principalmente a carne bovina. Mesmo a gente criando formas de economizar, não escapamos dos aumentos. Com essa possibilidade de aumentar ainda mais por causa da guerra, é como diz o ditado de que ‘nada é tão ruim que não possa piorar”, declarou Adriana Gomes, 35 anos, contadora.

Dessa forma, além do benefício de paz ao povo ucraniano, torcer pelo fim dos ataques da Rússia contra a Ucrânia significa também benefícios à economia. “Vale torcer pela paz nesses países, principalmente às pessoas inocentes de lá, mas também que vai nos poupar de uma situação que já é ruim que é nossa economia”, concluiu Valentina Ramos, 45 anos, costureira.

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