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CASO BÁRBARO

Damares sobre estupro de indígena: "lamento, mas acontece"

O caso da indígena Yanomâmi, de 12 anos, que morreu após ser supostamente estuprada por garimpeiros gerou indignação e revolta nas redes sociais nas últimas semanas.

quinta-feira, 05/05/2022, 18:01 - Atualizado em 05/05/2022, 18:00 - Autor: Com informações UOL

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A ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos Damares Alves
A ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos Damares Alves | Reprodução/ Redes Sociais

O caso bárbaro de uma indígena Yanomâmi, de 12 anos, que morreu após ser supostamente estuprada por garimpeiros numa comunidade na região de Waikás, uma das mais atingidas pela invasão de mineradores ilegais na Terra Indígena Yanomami, em Boa Vista (RO) gerou indignação e  revolta nas redes sociais nas últimas semanas.

A ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos Damares Alves (Republicanos), afirmou lamentar a morte e o estupro da adolescente. Em entrevista ao UOL, a pré-candidata ao Senado pelo Distrito Federal disse, porém, que casos como esse “acontecem todo dia”. A fala foi criticada nas redes sociais.

“Esse caso traz a questão do garimpo, mas quero lembrar que os garimpos estão em terras indígenas há mais de 70 anos, de forma irregular, e são muitas as violências. Esse caso dessa menina causou essa repercussão toda, e isso é muito bom porque a gente ainda vai conversar sobre violência sexual contra crianças indígenas. A gente não pode ser pautada por um só caso. Lamento, mas acontece todo dia”, disse a ex-ministra ao portal.

Damares afirma, porém, que esse não é um caso isolado. “O estupro dessa menina nos chocou como nos chocou o estupro da menininha lá entre os Guarani Kaiowá. Infelizmente esse não é um caso isolado e a gente tem que se levantar como um todo no enfrentamento à violência contra meninas e mulheres indígenas”, explicou.


O crime foi denunciado por Júnior Hekurari Yanomami, líder indígena e presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami e Ye’kwana.

Em vídeo publicado nas redes sociais, o líder indígena contou que garimpeiros invadiram a comunidade e levaram uma mulher, uma criança e a adolescente de 12 anos. “Os garimpeiros a violentaram, estupraram, e isso ocasionou o óbito”, disse. 

Investigação da PF

Em nota, a Polícia Federal, informou que não há indícios de “homicídio e estupro ou de óbito por afogamento” relacionados a denuncia feita pelo líder indígena. As autoridades informaram ainda que em uma  operação conjunta com o Ministério Público Federal (MPF), a Fundação Nacional do Índio (Funai) e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), agentes da PF realizaram “extensas diligências” na aldeia Arakaça, na região do Waikás.

Os investigadores contaram ainda com apoio do Exército e da Força Aérea Brasileira (FAB) para chegarem ao local. A operação foi realizada para “averiguar relatos de eventuais crimes dos quais teriam sido vítimas mulheres e crianças indígenas da localidade, conforme narrado em ofício encaminhado pelo Conselho Distrital de Saúde Indígena”, informa nota conjunta.

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