O ataque bárbaro que culminou na morte de um apoiador do Partido dos Trabalhadores (PT), ganha novos desdobramentos com o decorrer das investigações sobre o caso.
A defesa do policial penal federal Jorge José da Rocha Guaranho, que matou a tiros o guarda municipal Marcelo Arruda enquanto ele comemorava o aniversário de 50 anos com uma festa temática do PT alusiva ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, solicitou na terça-feira (12) à Justiça do Paraná exames periciais para "constatação de embriaguez" da vítima.
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O advogado Daniel Godoy, um dos defensores da família do petista morto no último sábado (9) em Foz do Iguaçu (PR), rebate: "é uma tentativa de criminalizar a vítima, justificar a versão de que se trata de briga de bar e de descaracterizar o crime de ódio por motivação política", disse, em entrevista ao portal UOL.
O pedido dos exames foi assinado pela advogada Marise Jussara Franz Luvison, indicada pelo Sindicato dos Agentes Federais de Execução Penal de Catanduvas (PR), onde Guaranho trabalha.
No documento, a defesa solicita imagens de câmeras de vigilância para verificar o consumo de bebida alcoólica pelo aniversariante na festa. A defesa ainda alega legítima defesa, contrariando o que aparece nas imagens captadas na cena do crime.
Contudo, a advogada que representa o policial penal diz que a vítima retira a arma da cintura e aponta em direção ao acusado. "Jorge Guaranho realiza passos para trás e, na busca de se defender, aponta a arma em direção a Marcelo", cita a advogada no documento.
"As imagens mostram que o acusado Jorge profere algumas palavras, e pelo que indica, pedindo para que a vítima abaixasse a arma, o que é ignorado, e ainda assim, Marcelo contínua indo ao encontro do acusado com a arma em punho apontada na direção de Jorge, obrigando-o a efetuar dois disparos na busca de sua defesa".
Após atirar em Arruda, Guaranho também é baleado. No chão, é agredido por chutes na cabeça desferidos por dois convidados da festa. Internado na UTI do Hospital Ministro Costa Cavalcante, o policial penal respira com o auxílio de ventilação mecânica e está em estado estável.
CONTESTAÇÃO
O advogado Daniel Godoy contestou a versão de legítima defesa apresentada pela advogada do sindicato da categoria pela qual o policial penal atua. "Guaranho atira duas vezes para dentro. Depois, entrou no local e desferiu mais um tiro quase à queima-roupa. Só depois de atingido e caído no chão é que Marcelo atira".
Os defensores que representam a família de Arruda se manifestaram no processo contra a atuação do sindicato que representa o policial penal no caso. "Não existe amparo legal para a atuação do sindicato, que pode atuar em questões de natureza coletiva, que envolvam a categoria. Esse caso diz respeito à prática de um crime", argumenta Godoy.
INVESTIGAÇÃO
Oito pessoas já foram ouvidas pela Polícia Civil do Paraná. Entre elas, testemunhas e parentes de Guaranho. A reconstituição do crime deverá ser feita nos próximos dias.
O caso está sendo investigado pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), sediada na capital Curitiba. Foi criada uma força-tarefa com agentes da especializada "para garantir celeridade na apuração dos fatos", informou a Secretaria da Segurança Pública do Paraná.
A previsão é de que o inquérito seja concluído dentro de uma semana.
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