Antes mesmo de o caso ser oficialmente encerrado pela Polícia Civil, o Ministério Público do Paraná decidiu aprofundar a análise sobre as circunstâncias que envolveram o desaparecimento de um jovem durante uma trilha no Pico Paraná, no início do ano. O episódio, que mobilizou equipes de resgate por vários dias e chamou a atenção para os riscos em ambientes de alta montanha, agora ganha novos desdobramentos na esfera judicial.
O Ministério Público do Paraná denunciou Thayane Smith por omissão de socorro no caso de Roberto Farias Thomaz, de 19 anos, que ficou desaparecido por cinco dias após fazer uma trilha no Pico Paraná com a jovem e ser abandonado por ela.
A denúncia foi apresentada nesta quinta-feira (15) pela 2ª Promotoria de Justiça de Campina Grande do Sul e vai na contramão da decisão da Polícia Civil, que havia optado pelo arquivamento do inquérito sobre o ocorrido no início de janeiro.
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Segundo as investigações, Roberto e Thayane iniciaram a subida ao Pico Paraná no dia 31 de dezembro de 2025, com o objetivo de assistir ao nascer do sol. O desaparecimento aconteceu em 1º de janeiro de 2026, durante a descida, quando o jovem passou a apresentar vômitos e dificuldades para caminhar, sinais que indicavam um quadro físico debilitado.
O rapaz permaneceu perdido na região montanhosa por quase uma semana. O incidente ocorreu na trilha de descida do ponto mais alto do Paraná, em uma área conhecida pela complexidade do terreno. No dia do ocorrido, as condições climáticas eram consideradas adversas, com registro de chuva, frio intenso e neblina, o que aumentava ainda mais os riscos para os praticantes da atividade.
A decisão do Ministério Público se baseou na análise dos depoimentos colhidos ao longo da investigação. De acordo com a Promotoria, Thayane teria deixado o jovem para trás mesmo após perceber sua condição de vulnerabilidade, ignorando a situação de perigo iminente em que ele se encontrava.
Em manifestação oficial, o MP ressaltou que, apesar dos riscos evidentes do local e do estado físico da vítima, a denunciada teria demonstrado preocupação apenas com o próprio bem-estar, desconsiderando inclusive alertas feitos por outros montanhistas que perceberam a gravidade da situação.
A conduta foi enquadrada como crime de omissão de socorro, previsto no artigo 135 do Código Penal. Como parte da proposta de transação penal, o Ministério Público sugeriu o pagamento de R$ 4.863,00, valor equivalente a três salários mínimos, a título de indenização à vítima.
Além disso, foi solicitado o ressarcimento de R$ 8.105,00 ao Corpo de Bombeiros de Campina Grande do Sul, referente aos custos da operação de busca e resgate, que mobilizou equipes e recursos por cinco dias consecutivos.
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Caso a transação penal seja aceita, Thayane deverá cumprir ainda prestação de serviços comunitários junto ao Corpo de Bombeiros por um período de três meses, com carga de cinco horas semanais, como forma de reparação.
Até o momento, não há informações sobre a aceitação da proposta por parte da denunciada, nem sobre a data de uma eventual audiência no Juizado Especial Criminal.
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