O mercado imobiliário brasileiro fechou 2025 com resultados inéditos, mesmo em um cenário de crédito caro. Segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) divulgados nesta segunda-feira (23), ao longo do ano foram lançadas 453.005 unidades residenciais, crescimento de 10,6% em relação a 2024, enquanto as vendas chegaram a 426.260 imóveis, alta de 5,4%.
O destaque do ano foi para o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), responsável por mais da metade dos lançamentos (52%) e quase metade das vendas (49%) no último trimestre. Para o setor, o programa segue sendo o principal motor de aquecimento, mantendo o interesse de compradores mesmo diante da taxa básica de juros em 15% ao ano.
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Em termos financeiros, o mercado registrou um Valor Geral de Lançamentos (VGL) de R$ 292,3 bilhões e um Valor Geral de Vendas (VGV) de R$ 264,2 bilhões, refletindo a força econômica das transações no período.
Celso Petrucci, conselheiro da CBIC e diretor de Economia do Secovi-SP, destacou a resiliência do setor. “As vendas também atingiram recordes, com a curva apontando para cima, o que mostra a resiliência do mercado imobiliário e a sua saúde do ponto de vista dos negócios”, disse.
Além de lançamentos e vendas, o estoque de imóveis à venda também aumentou, ao encerrar 2025 com 347.013 unidades, crescimento de 8% em relação ao ano anterior. No quarto trimestre, os principais indicadores bateram recorde. Foram lançadas 133.811 unidades, vendidas 109.439 e registrado VGV de R$ 67,2 bilhões. “Se fizermos a média diária, chegamos ao número de 1.215 unidades novas vendidas por dia, sendo 312 apenas em São Paulo”, ressaltou Petrucci.
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Minha Casa Minha Vida mantém mercado aquecido
O MCMV registrou 224.842 unidades lançadas, alta de 13,5% sobre 2024, e 196.876 imóveis vendidos, crescimento de 15,9%. A expansão do programa foi apoiada pelo maior volume histórico de recursos do FGTS, que atingiu R$ 142,3 bilhões, valor abaixo apenas da previsão de R$ 160,5 bilhões para 2026.
“O programa Minha Casa, Minha Vida vai indo muito bem, obrigado”, afirmou Petrucci, destacando que os recursos disponíveis permitiram manter o ritmo elevado de lançamentos e vendas. O impacto foi mais evidente no Sudeste e no Norte, onde o programa representou 55% e 56% das vendas do último trimestre. Com o ritmo atual de comercialização, o estoque disponível do MCMV seria absorvido em cerca de 7,9 meses, caso não houvesse novos lançamentos.
Expectativa positiva para 2026
A pesquisa da CBIC mostra que 50% dos entrevistados têm planos de comprar imóvel nos próximos 24 meses. Entre eles, 37% ainda não iniciaram a busca, 8% pesquisam online e 5% já visitam imóveis. O apartamento segue como a preferência majoritária (48%), seguido por casas em rua (34%), casas em condomínio (15%) e terrenos (3%). As principais motivações incluem sair do aluguel, ganhar mais espaço e independência da casa dos pais.
Fernando Guedes Ferreira Filho, presidente-executivo da CBIC, reforça que a intenção de compra elevada e a expectativa de queda da Selic são sinais de que a demanda seguirá firme.
Em 2026 o setor promete ainda mais oportunidades. A previsão de início do ciclo de cortes da Selic a partir de março deve reduzir o custo do crédito imobiliário. Além disso, a meta do governo de contratar três milhões de unidades do Minha Casa, Minha Vida até o final do ano mantém a perspectiva de um mercado aquecido e movimentado.
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