Entre engrenagens públicas e interesses privados, o uso de recursos destinados à educação volta ao centro de uma investigação de grande porte no país. Em um cenário que expõe fragilidades nos mecanismos de controle e levanta questionamentos sobre a gestão de contratos públicos, a atuação de autoridades passa a ser novamente alvo de investigação das forças federais.
O deputado estadual Thiago Rangel (Avante-RJ) foi preso na manhã desta terça-feira (5) durante a quarta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal. A ação investiga fraudes em processos de compra de materiais e contratação de serviços, incluindo obras de reforma, no âmbito da Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro.
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MANDADOS E ALVOS DA OPERAÇÃO
Ao todo, estão sendo cumpridos sete mandados de prisão e 23 de busca e apreensão na capital fluminense e em municípios do interior, como Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana. As ordens foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal.
Segundo informações divulgadas, um dos mandados também atinge o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, que já se encontra preso.
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ESQUEMA INVESTIGADO
De acordo com as investigações, há indícios de um esquema de direcionamento de contratos em escolas estaduais para empresas previamente selecionadas e ligadas ao grupo investigado. Parte dos recursos públicos desviados teria sido canalizada para uma rede de postos de combustíveis controlada pelos suspeitos.
Nesse modelo, o dinheiro era misturado ao faturamento regular dos estabelecimentos, dificultando o rastreamento da origem ilícita. Prática caracterizada como lavagem de dinheiro.
Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, peculato, fraude à licitação e lavagem de dinheiro. A operação integra a força-tarefa Missão Redentor II, criada a partir de decisão do STF para fortalecer o combate ao crime organizado no estado do Rio de Janeiro.
FASES ANTERIORES
A Operação Unha e Carne já resultou em outras prisões em fases anteriores. O próprio Rodrigo Bacellar foi detido em etapas anteriores, enquanto o desembargador Macário Ramos Júdice Neto também foi preso sob suspeita de vazamento de informações sigilosas.
Além disso, Thiago Rangel já havia sido alvo, em 2024, da Operação Posto de Midas, que investigava fraudes em licitações e lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis. À época, autoridades apontaram crescimento patrimonial expressivo do parlamentar e a existência de uma rede com dezenas de empresas vinculadas.
TRAJETÓRIA POLÍTICA
Antes de assumir mandato na Assembleia Legislativa do Rio, Thiago Rangel foi eleito vereador em Campos dos Goytacazes em 2020. Ele também ocupou cargos em órgãos estaduais como o Instituto de Pesos e Medidas (Ipem-RJ) e o Departamento de Transportes Rodoviários (Detro-RJ).
As investigações seguem em andamento, e as defesas dos citados ainda não tiveram posicionamentos divulgados até o momento.
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