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DADOS ALARMANTES

Relatório aponta que 96% dos brasileiros têm medo de sofrer violência

Mulheres e pessoas negras aparecem entre os grupos mais afetados pela insegurança, com índices maiores de medo, restrição de circulação e vulnerabilidade.

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Imagem ilustrativa da notícia Relatório aponta que 96% dos brasileiros têm medo de sofrer violência camera 57% da população brasileira diz ter mudado hábitos da rotina por causa do medo da violência. | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O medo da violência deixou de ser apenas uma sensação pontual e passou a reorganizar a vida cotidiana dos brasileiros. É o que mostra a pesquisa “Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança”, divulgada neste domingo (10) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O levantamento revela que 96,2% da população com 16 anos ou mais têm medo de sofrer ao menos um tipo de crime ou violência no país.

O estudo, realizado em parceria com o Instituto Datafolha, ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios brasileiros entre os dias 9 e 10 de março deste ano. Segundo o relatório, a insegurança já não é apenas um reflexo dos índices criminais, mas um “clima social persistente” que altera hábitos, restringe a circulação e afeta a relação da população com o espaço público e com o próprio Estado.

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Entre os principais medos dos brasileiros estão: sofrer golpes pela internet ou celular (83,2%), ser roubado à mão armada (82,3%), morrer durante um assalto (80,7%), ter o celular roubado ou furtado (78,8%) e ser vítima de bala perdida (77,5%).

Violência muda hábitos e restringe liberdade

Os dados da Tabela 3 do levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que o medo da violência já alterou a rotina de mais da metade da população brasileira. Segundo a pesquisa, 57% dos entrevistados afirmaram ter mudado algum comportamento nos últimos 12 meses por causa da insegurança, o que representa cerca de 95 milhões de pessoas no país.

A principal mudança relatada pelos brasileiros foi alterar trajetos rotineiros, prática adotada por 36,5% da população. Logo em seguida aparecem deixar de sair à noite (35,6%) e evitar sair com o celular por medo de assalto (33,5%). Os números revelam que a violência passou a influenciar diretamente a circulação das pessoas nas cidades, transformando atividades simples do cotidiano em situações de risco permanente.

A pesquisa também mostra impactos no consumo e no comportamento social. Cerca de 26,8% dos entrevistados disseram retirar alianças ou acessórios para andar na rua, enquanto 22,5% deixaram de comprar determinados bens por medo de roubo ou furto. Para os pesquisadores, a violência gera efeitos que vão além dos índices criminais, afetando a sensação de liberdade, bem-estar e normalidade da população.

O estudo aponta ainda que as mulheres são as que mais modificam hábitos por medo da violência. Entre elas, 40,9% afirmaram deixar de sair à noite, contra 29,8% dos homens. Já 37,8% das mulheres deixaram de sair com o celular por medo de assalto, percentual superior aos 28,9% registrados entre os homens. Segundo o relatório, a insegurança feminina impacta diretamente o direito de circulação e a ocupação dos espaços urbanos.

O documento destaca que o celular se tornou um símbolo dessa nova dinâmica da criminalidade. Além do valor financeiro do aparelho, ele concentra banco, documentos, trabalho e vida pessoal. O roubo do dispositivo, portanto, não representa apenas perda material, mas também desorganização completa da rotina.

A pesquisa também chama atenção para o impacto das redes sociais na amplificação do medo. Segundo o relatório, conteúdos sobre crimes violentos geram quatro vezes mais engajamento do que publicações sobre políticas públicas de segurança, alimentando uma sensação permanente de insegurança.

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Mulheres vivem medo “mais abrangente”

O levantamento mostra que as mulheres são o grupo mais afetado pela sensação de insegurança. Elas apresentaram índices maiores de medo em todas as 13 situações pesquisadas.

Entre as mulheres, o medo de sofrer agressão sexual chega a 82,6%, enquanto entre os homens o índice é de 48,6%. Já o temor de andar pela vizinhança à noite atinge 56,8% das mulheres, contra 37,7% dos homens.

Outro dado alarmante envolve a violência doméstica. O medo de sofrer agressão por parceiro íntimo ou ex-companheiro alcança 48,6% entre as mulheres, bem acima dos 35,4% registrados entre os homens.

Para os pesquisadores, a experiência feminina da insegurança é “mais totalizante”, porque atravessa simultaneamente a rua, a casa, o corpo e a rotina diária.

Além do medo, as mulheres também aparecem mais expostas à violência sexual. O percentual feminino de vítimas de agressão sexual é o dobro do masculino: 1,8% contra 0,9%.

População negra e probre teme mais violência letal

A pesquisa evidencia ainda uma desigualdade racial na percepção da violência. Pessoas negras demonstram mais medo principalmente em situações relacionadas à violência letal.

O temor de ser vítima de bala perdida atinge 80,3% dos negros, contra 71,9% dos brancos. Já o medo de ser assassinado alcança 77,4% entre negros e 71% entre brancos.

As diferenças também aparecem no medo de morrer durante um assalto, sofrer agressão sexual e violência política. Segundo o relatório, os dados refletem diferentes níveis de exposição ao risco e maior vulnerabilidade da população negra à violência cotidiana.

O estudo mostra que a classe social também influencia fortemente a percepção da insegurança. Nas classes D e E, o principal medo já não é o golpe digital, mas o roubo à mão armada.

Entre os mais pobres, 85% têm medo de serem roubados à mão armada, 82,9% temem morrer durante um assalto e 82,3% têm medo de bala perdida.

Já entre as classes mais altas, os medos estão mais concentrados em crimes patrimoniais e golpes digitais. O relatório conclui que a desigualdade social altera não apenas a intensidade do medo, mas também sua natureza.

Enquanto os mais ricos temem perdas financeiras e crimes virtuais, os mais pobres convivem com uma percepção constante de ameaça física, violência armada e exposição territorial.

Golpes digitais lideram

A pesquisa aponta ainda que os crimes digitais se tornaram uma das principais formas de violência no país. Nos últimos 12 meses, 15,8% dos brasileiros afirmaram ter sofrido golpe financeiro pela internet ou celular, o equivalente a cerca de 26,3 milhões de pessoas.

Outros 12,4% disseram ter sido vítimas de fraudes ou desvios em aplicativos bancários ou PIX.

O levantamento afirma que a insegurança atual mistura violência de rua, crimes digitais e medo disseminado pelas redes sociais. Para o Fórum, o desafio das políticas públicas será responder tanto ao avanço do crime organizado quanto à crescente sensação de vulnerabilidade da população.

O estudo também revela que 41,2% dos entrevistados afirmam perceber a presença de facções criminosas ou milícias no bairro onde vivem, indicando o avanço do crime organizado sobre o cotidiano das cidades brasileiras.

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