Oficialmente comprar uma blusa na Shein ficou mais barato a partir da terça-feira (12), por conta do fim do imposto de importação que, desde 2024, onerava as compras internacionais de baixo valor feitas por brasileiros.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma Medida Provisória que extingue o imposto de importação de 20% cobrado sobre compras internacionais de até US$ 50. A medida afeta diretamente o programa Remessa Conforme, que regula as importações de baixo valor feitas por pessoas físicas.
Leia também:
- 'Taxa das Blusinhas': quando cobrança deixará de ser feita?
- Governo Federal anuncia fim da “taxa das blusinhas” para compras até US$ 50
Por meio desse programa, as plataformas como Shein, Shopee, AliExpress e Temu operam no Brasil com regras tributárias específicas.
Afinal, antes da mudança, uma compra de US$ 50, cerca de R$ 251 em plataforma internacional tinha o seguinte caminho tributário:
- Imposto federal de importação de 20%: o valor subia para cerca de R$ 301;
- Aplicação do ICMS estadual de 17% sobre esse montante: o total chegava a US$ 72,29, ou cerca de R$ 354.
Com a extinção do imposto federal, a mesma compra de US$ 50 passa a ser tributada apenas pelo ICMS. Assim, com alíquota de 17%, o valor final fica em US$ 60,24, equivalente a cerca de R$ 295.
Portanto, o consumidor pode economizar em torno de R$ 59 por compra de US$ 50.
O que ainda é cobrado?
A extinção da taxa não representa isenção total.
O ICMS, imposto de competência estadual, continua incidindo sobre as importações. A alíquota padrão é de 17% na maioria dos estados; contudo, em alguns locais, pode chegar a 20%.
Quais compras são contempladas?
A nova regra vale apenas para compras que atendam às seguintes condições:
- O pedido deve ser internacional, ou seja, feito diretamente a um vendedor estrangeiro;
- O valor da compra não pode ultrapassar US$ 50;
- A transação deve ocorrer dentro das regras do programa Remessa Conforme.
Compras acima de US$ 50 seguem outras regras tributárias.
Além disso, produtos vendidos por lojas brasileiras dentro dessas plataformas podem ter tratamento diferente, pois não configuram importação direta.
Impacto para o varejo nacional
A extinção do imposto beneficia o consumidor final, mas preocupa o setor varejista brasileiro.
Empresas nacionais que comercializam produtos similares, como roupas, acessórios, eletrônicos e itens de beleza, enfrentam maior concorrência de importados com preço reduzido.
Quer receber mais notícias do Brasil e do mundo? Acesse o canal do DOL no WhatsApp!
O debate sobre equilíbrio tributário entre o comércio nacional e as plataformas estrangeiras, portanto, deve se intensificar nos próximos meses.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar