Os corredores frios da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, voltaram a ganhar temperatura política nesta semana. Em meio às sucessivas fases da Operação Compliance Zero, investigadores ampliam o cerco contra personagens ligados ao suposto esquema bilionário de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e monitoramento ilegal que teria ramificações no sistema bancário, empresarial e político do país. No centro da crise está o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, cuja tentativa de delação premiada acabou frustrada diante da avaliação negativa da Polícia Federal.
A rejeição da proposta de colaboração apresentada por Vorcaro, comunicada nesta quarta-feira (20), expôs o desgaste nas negociações entre a defesa do empresário e os investigadores. Segundo a PF, os anexos entregues continham omissões consideradas relevantes e indicavam uma possível tentativa de preservar figuras influentes de Brasília supostamente envolvidas nas irregularidades apuradas pela operação.
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PF VÊ OMISSÕES E TRAVA ACORDO
A proposta de colaboração foi considerada insuficiente pelos investigadores, que entenderam não haver utilidade prática imediata para o avanço das apurações. A informação, inicialmente divulgada pela revista Veja, foi confirmada posteriormente pelo portal Metrópoles.
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Nos bastidores da investigação, a avaliação é de que Daniel Vorcaro vinha evitando citar personagens considerados centrais no esquema investigado. O impasse acabou produzindo reflexos diretos na situação prisional do banqueiro.
TRANSFERÊNCIA PARA CELA COMUM
Desde março preso preventivamente na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, Vorcaro deixou uma sala especial da corporação e foi transferido, nesta semana, para uma cela comum destinada a presos em trânsito. O espaço anteriormente ocupado pelo empresário foi o mesmo utilizado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro durante período de detenção.
Aliados do banqueiro afirmam que a nova cela possui condições mais precárias que outras unidades prisionais pelas quais ele passou, entre elas a Penitenciária da Papuda e a Penitenciária Federal de Brasília.
Além da mudança de cela, a PF também restringiu o acesso da defesa ao investigado. Os advogados agora podem visitá-lo apenas duas vezes ao dia, em encontros de 30 minutos e sem instrumentos de trabalho. Antes, o acesso era liberado entre 9h e 17h.
DECISÃO TEVE AVAL DO STF
As mudanças nas condições de prisão ocorreram após autorização do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), para que Daniel Vorcaro passasse a seguir as "regras ordinárias" de funcionamento da Superintendência da PF.
Segundo investigadores, o endurecimento das medidas ocorre justamente em meio ao desgaste das negociações para um eventual acordo de colaboração premiada.
OPERAÇÃO CHEGOU AO NÚCLEO POLÍTICO
A Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema bilionário envolvendo fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, corrupção e monitoramento ilegal ligado ao Banco Master. Daniel Vorcaro é apontado como principal articulador da organização investigada. Relembre abaixo as fases da
- A primeira fase da operação ocorreu em novembro de 2025, quando a PF prendeu Vorcaro e outros executivos do banco, além de apreender carros de luxo, relógios, obras de arte e R$ 1,6 milhão em espécie.
- Já na segunda fase, em janeiro de 2026, as investigações avançaram sobre familiares e aliados do banqueiro, com autorização do Supremo Tribunal Federal para buscas em cinco estados e bloqueio de R$ 5,7 bilhões em ativos.
- Em março, a terceira fase levou novamente à prisão de Vorcaro. A PF passou então a investigar suspeitas de ameaça, corrupção, invasão de dispositivos eletrônicos e atuação de uma suposta “milícia privada” ligada ao empresário.
- A quarta fase, deflagrada em abril, concentrou-se em possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master e o BRB, incluindo suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de imóveis.
- Na quinta etapa da operação, em maio deste ano, os investigadores chegaram ao núcleo político do caso e miraram o senador Ciro Nogueira, suspeito de receber repasses vinculados ao esquema.
- Já a sexta fase culminou na prisão de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, além de atingir policiais suspeitos de participação nas irregularidades investigadas.
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