Um simples gesto do dia a dia como copiar e colar se tornou a porta de entrada para um golpe sofisticado que já afeta usuários de Android e iOS na forma de pagamento mais utilizada por brasileiros: o pix.
Por trás da ação rotineira, criminosos instalaram armadilhas invisíveis capazes de desviar transferências financeiras sem deixar rastros evidentes. O clipboard hijacking, ou sequestro da área de transferência, é uma fraude digital que manipula informações copiadas pelo usuário. Nessa modalidade, um vírus substitui automaticamente uma chave Pix ou endereço de criptomoeda por dados controlados pelos golpistas.
Leia também:
- Mulher é presa em Belém por estelionato eletrônico e falsidade ideológica
- Troca de tiros em posto no Jurunas deixa mototaxista ferido
Como a troca acontece de forma discreta, a vítima cola o dado falso sem notar qualquer diferença. Especialistas em segurança digital emitiram alertas sobre o crescimento dessa prática em 2026.
A infecção não exige nenhuma ação elaborada da vítima, pois basta um descuido comum para contaminar o aparelho. Os caminhos mais frequentes de entrada do malware são:
- Instalação de aplicativos pirateados obtidos fora das lojas oficiais;
- Anexos maliciosos em e-mails fraudulentos;
- Páginas falsas que usam janelas pop-up ou CAPTCHA para instalar códigos nocivos.
Depois de instalado, o vírus fica oculto e só age quando detecta dados considerados valiosos.
Ademais, versões mais avançadas do malware conseguem identificar o formato da informação copiada e gerar automaticamente um substituto compatível, o que reduz ainda mais as chances de a vítima notar a fraude.
Android ou iOS: nenhum sistema está livre
O problema atingiu os dois principais sistemas operacionais do mercado. No caso da Apple, uma falha presente no iOS 14, lançado em 2020, permitia que qualquer aplicativo lesse a área de transferência sem pedir autorização.
Além disso, a sincronização entre iPhone, iPad e Mac ampliava o risco consideravelmente.
Pesquisadores identificaram, naquele período, que mais de 50 aplicativos populares, entre eles TikTok, LinkedIn e Reddit, acessavam esse recurso de forma constante.
Depois da repercussão pública, a Apple passou a exigir permissões específicas e notificações de acesso.
No Android, restrições ao uso da área de transferência foram implementadas a partir de 2019. Com o Android 13, o sistema ganhou alertas de leitura e exclusão automática do conteúdo copiado.
No entanto, especialistas alertam que o sistema do Google ainda é mais vulnerável, já que aplicativos maliciosos conseguem, em alguns casos, chegar à Play Store disfarçados de ferramentas legítimas.
Como se proteger do golpe?
A principal defesa contra o clipboard hijacking está na atenção do usuário antes de confirmar qualquer transferência. As recomendações de segurança incluem:
- Conferir os primeiros e os últimos caracteres da chave Pix antes de concluir o pagamento;
- Priorizar pagamentos por QR Code em vez de copiar e colar chaves;
- Confirmar dados sensíveis por outros canais antes de enviar o dinheiro;
- Evitar aplicativos pirateados ou obtidos fora das lojas oficiais;
- Manter antivírus, antimalwares e o sistema operacional sempre atualizados.
Quer receber mais notícias e dicas de segurança? Acesse o canal do DOL no WhatsApp!
Portanto, a combinação de atenção redobrada com boas práticas digitais ainda é a barreira mais eficaz contra esse tipo de ataque.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar