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PRÁTICA ABUSIVA?

Golpe do doce: clientes pagam até R$ 330 após pesagem do produto

Consumidores denunciam constrangimento após compra de doces por peso; empresa nega irregularidades e MP apura possíveis falhas.

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Imagem ilustrativa da notícia Golpe do doce: clientes pagam até R$ 330 após pesagem do produto camera Cliente denuncia cobrança abusiva em barraca de doces na Expocrato; casos geram polêmica e fiscalização do Ministério Público. | Reprodução/TikTok

Vídeos publicados nas redes sociais transformaram a venda de doces na Exposição Agropecuária do Crato (Expocrato) em um dos assuntos mais comentados dos últimos dias. Consumidores denunciam terem sido surpreendidos com cobranças de até R$ 330 após a pesagem dos produtos, episódio que ficou conhecido na internet como "golpe do doce".

Um dos relatos de maior repercussão é o da pernambucana Priscila Justino, de 34 anos. Moradora da cidade de Granito (PE), ela percorreu cerca de 125 quilômetros até o Crato (CE) para visitar a feira e afirma ter sido constrangida durante a compra em uma barraca de doces.

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Segundo Priscila, a placa do estande informava que 100 gramas de doce custavam R$ 19,90. Ao escolher um pedaço, ela pediu ao atendente que cortasse uma fatia equivalente a "dois dedos" de espessura.

No entanto, a cliente afirma que o vendedor aprofundou o corte muito além do esperado.

"Eu pedi para ele cortar 'dois dedos'. Em cima, ele cortou da espessura de 'dois dedos'. Mas aprofundou a espátula. Eu comecei a ficar indignada e disse: 'moço, saiu muito'."

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Ela levou pedaços de doces de maracujá, abacaxi e quebra-queixo. Somente no caixa descobriu que a compra ultrapassava os R$ 330. Priscila afirma que tentou desistir da compra, mas diz ter sido impedida por outro funcionário da barraca.

Segundo ela, o vendedor teria insistido para que levasse os produtos. "Ele começou a gritar: 'A senhora vai levar, sim. Partiu, tem de levar. É self-service'", recorda ela.

A consumidora conta que se sentiu constrangida diante das pessoas que aguardavam na fila e decidiu efetuar o pagamento. "Eu paguei por vergonha. Só depois percebi que tinha sido lesada. Não é nem pelo dinheiro, mas pelo constrangimento", disse.

Caso viralizou nas redes sociais

Antes mesmo do relato de Priscila, outros consumidores já haviam publicado vídeos mostrando situações semelhantes. Uma das gravações mais compartilhadas foi feita pela influenciadora Samiryan Meneses, que afirma ter experimentado diversos doces oferecidos gratuitamente por uma funcionária da barraca.

Depois, ao escolher apenas três pedaços, foi surpreendida com uma cobrança de aproximadamente R$ 300, embora a placa informasse o preço de R$ 19,90 por 100 gramas.

As publicações rapidamente viralizaram e fizeram com que internautas apelidassem o episódio de "golpe do doce".

Ministério Público realizou fiscalização

Após a repercussão, o Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Decon), vinculado ao Ministério Público do Ceará, realizou uma fiscalização no estande da Doceria Deleites.

Segundo o órgão, foram identificadas possíveis irregularidades na forma como os preços eram apresentados aos consumidores.

De acordo com o Ministério Público, os produtos não possuíam indicação clara do tamanho ou do peso das porções, dificultando que os clientes soubessem quanto pagariam antes da pesagem.

O promotor de Justiça Thiago Marques explicou que, em vendas por peso, o consumidor precisa ter condições de visualizar aproximadamente o volume correspondente à quantidade anunciada.

Além disso, ressaltou que, em compras presenciais, o cliente não é obrigado a concluir a aquisição caso perceba inconsistências ou dúvidas sobre o valor final.

Empresa nega prática irregular

Em vídeo divulgado nas redes sociais, o proprietário da Doceria Deleites, identificado apenas como Fausto, negou que exista qualquer tipo de golpe ou enganação.

Segundo ele, a equipe informa aos clientes que o preço é de R$ 19,90 por 100 gramas, equivalente a R$ 199 o quilo, e cada pessoa escolhe livremente o tamanho da fatia desejada.

O empresário também afirmou que, depois que o doce é cortado, a porção não pode ser reaproveitada para venda por orientação da Vigilância Sanitária, motivo pelo qual a empresa pede que o cliente confirme a compra após o corte.

Ainda conforme Fausto, diversos pedaços precisaram ser descartados após consumidores desistirem da compra, já que esses produtos não poderiam ser recolocados à venda nem distribuídos como degustação.

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