O governo brasileiro prepara um nova etapa de teste para avaliar a possibilidade de elevar novamente a concentração de etanol na gasolina vendida no país, que atualmente conta com 32% do componente. Chamada de E35, a nova composição prevê 35% de etanol anidro e ainda não está autorizada para chegar aos postos.
No Brasil, a Lei do Combustível do Futuro permite que a participação do etanol anidro na gasolina alcance até 35%, mas condiciona esse aumento à comprovação de viabilidade técnica. Por isso, antes de qualquer decisão, a E35 terá de passar por uma nova bateria de ensaios, com atenção especial aos efeitos provocados pelo uso prolongado.
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De acordo com as autoridades, o plano de testes deve ser formalizado pelo Ministério de Minas e Energia ainda nesta sexta-feira (18/09). Já depois da conclusão dos estudos, caberá ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) analisar os resultados e decidir se o percentual poderá ser elevado novamente.
Além disso, a nova avaliação também pretende preencher algumas lacunas deixadas pelos estudos que antecederam a adoção da E32. Ao analisar a decisão que levou o governo a aumentar temporariamente a mistura de E30 para E32, o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou que não foram realizados especificamente com a E32 testes de consumo e emissões. De acordo com o TCU, as avaliações utilizadas como referência haviam sido feitas apenas com a concentração anterior, de 30% de etanol.
Além disso, a autoridade também identificou a ausência de ensaios de longo prazo sobre durabilidade, corrosão e compatibilidade de materiais. Segundo o tribunal, governo e representantes dos setores automotivo e de autopeças tinham conhecimento dessas limitações e haviam decidido deixar essas verificações para uma etapa posterior, voltada a misturas com 35% ou mais de etanol.
Mesmo diante das ressalvas, o TCU considerou suficientes os estudos disponíveis para a adoção temporária da E32 e ressaltou que a medida poderá ser revertida caso o monitoramento encontre problemas.
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Nessa nova rodada de testes que serão feitos com a mistura concentrada de 35%, um dos pontos que deve ganhar atenção é o comportamento dos componentes dos veículos após períodos prolongados de utilização. Segundo especialista automobilístico, é possíveis que o combustével provoque efeitos sobre motores modernos com sistemas de injeção direta.
De acordo com os profissionais, nesses veículos, o combustível não atua apenas na combustão, como também auxilia na lubrificação de peças submetidas a pressões elevadas, como bombas e injetores.
Além disso, o aumento da proporção de etanol também pode influenciar o consumo do veículo. Segundo os especialistas, quanto maior a participação do biocombustível, menor tende a ser a quantidade de energia disponível em cada litro da mistura. Com isso, seria necessário utilizar um volume maior de combustível para entregar ao motor a mesma quantidade de energia.
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