O presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), trabalha com a expectativa de reunir votos suficientes para aprovar no Senado a proposta que prevê o fim da escala de trabalho 6×1. A articulação deve incluir parlamentares de diferentes correntes políticas, inclusive nomes ligados à direita, como o senador e governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho (Republicanos).
A proposta avançou na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, onde recebeu 23 votos favoráveis no dia 2 de setembro. Dos 27 parlamentares presentes na sessão, quatro foram contrários: Rogério Marinho (PL-RN), Tereza Cristina (PP-MS), Jaime Bagattoli (PL-RO) e Hamilton Mourão (Republicanos-RS).
CONTEÚDOS RELACIONADOS:
- Alcolumbre está “determinado” a votar PEC 6x1 antes do 2º turno
- INSS pode aumentar em 25% as aposentadorias; veja quem tem direito
Rogério Marinho atua como coordenador-geral da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, enquanto Tereza Cristina integra a coordenação da área de agricultura. Mesmo com a proximidade com Flávio, Alcolumbre não deve postergar a análise da proposta.
Segundo aliados, o presidente do Congresso mantém o compromisso assumido com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de colocar o tema em votação. A relação política entre os dois também envolveu apoio aos candidatos de Alcolumbre no Amapá, estado onde os nomes apoiados pelo senador acabaram derrotados nas eleições.
Para Lula, a aprovação do fim da escala 6×1 pode representar um ativo político durante a disputa presidencial, principalmente por colocar Flávio Bolsonaro em uma posição de oposição à proposta. Na campanha do candidato, porém, a avaliação é de que a medida não seria suficiente para alterar o cenário eleitoral.
A equipe de Flávio sustenta que o candidato não é contrário a mudanças na jornada de trabalho, mas defende uma maior flexibilização. Nesse modelo, trabalhadores e empregadores teriam mais autonomia para estabelecer os horários, com menor interferência do Estado.
Outro argumento utilizado pela campanha é que a discussão sobre o fim da escala 6×1 já teria conquistado apoio significativo entre os eleitores. Por isso, a aprovação da proposta não necessariamente representaria um ganho eleitoral para Lula.
Flávio também pretende usar politicamente a relação entre Lula e Alcolumbre. O senador do Amapá é alvo de críticas de setores ligados ao candidato por ter barrado pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A pauta de oposição à Corte teve peso na estratégia eleitoral que levou Flávio à vitória no primeiro turno.
Caso Flávio Bolsonaro seja eleito presidente, Alcolumbre dificilmente permanecerá no comando do Congresso, segundo avaliações nos bastidores. O nome considerado mais próximo do futuro governo para ocupar a presidência do Senado é o de Rogério Marinho.
Quer receber notícias direto no celular? Acesse nosso canal no WhatsApp!
Ao longo de sua trajetória à frente do Congresso, Alcolumbre acumulou episódios de confronto e negociação com diferentes governos. Durante a gestão de Lula, por exemplo, atuou contra a indicação de Jorge Messias ao STF. Na administração de Jair Bolsonaro, também retardou por cerca de quatro meses a sabatina de André Mendonça para o Supremo.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar