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ETAPA DE TRASIÇÃO

Adolescência começa antes dos 12 anos e envolve mudanças no corpo e cérebro

Especialistas explicam como as mudanças físicas e emocionais podem surgir aos 9 ou 10 anos, por que o cérebro ainda está em desenvolvimento.

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Imagem ilustrativa da notícia Adolescência começa antes dos 12 anos e envolve mudanças no corpo e cérebro camera As transformações da adolescência podem começar aos 9 ou 10 anos. Especialistas explicam como o desenvolvimento cerebral, as emoções e a busca por autonomia influenciam essa fase e por que o diálogo com a família é fundamental. | Reprodução/Magnific

A adolescência pode começar antes dos 12 anos, com mudanças físicas, hormonais e emocionais que costumam aparecer por volta dos 9 ou 10 anos. Nesse período, o desenvolvimento cerebral influencia o comportamento, intensifica as emoções e amplia a necessidade de independência, exigindo dos pais e responsáveis uma nova maneira de acompanhar os filhos.

Embora seja frequentemente associada à faixa dos 12 ou 13 anos, a adolescência apresenta sinais mais precoces. Segundo especialistas ouvidos em uma série sobre o tema do programa Fantástico, da TV Globo, as alterações hormonais começam a produzir efeitos ainda no final da infância, modificando o corpo e a maneira como crianças e jovens percebem o mundo.

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As mudanças físicas podem incluir o aparecimento de espinhas, o engrossamento da voz dos meninos e o início da menstruação nas meninas. Paralelamente, também surgem alterações de humor, sentimentos mais intensos e novas formas de interpretar situações cotidianas.

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As transformações, porém, não se limitam à aparência. Os jovens passam a questionar com mais frequência as orientações dos pais, desafiar regras e reivindicar maior liberdade para tomar decisões. É também nessa etapa que a identidade pessoal ganha força e as relações com amigos passam a exercer uma influência significativa.

A TRANSIÇÃO ENTRE A INFÂNCIA E A VIDA ADULTA

A adolescência é uma fase de transição entre a infância e a vida adulta, marcada por mudanças físicas, emocionais e pela busca por identidade e autonomia.
📷 A adolescência é uma fase de transição entre a infância e a vida adulta, marcada por mudanças físicas, emocionais e pela busca por identidade e autonomia. |Reprodução/Magnific

A adolescência representa uma fase intermediária do desenvolvimento humano. O jovem já não se reconhece inteiramente no universo infantil, mas ainda não reúne todas as condições emocionais e cognitivas associadas à vida adulta. Essa transição pode provocar insegurança, dúvidas e sentimentos de vulnerabilidade.

O pediatra Daniel Becker, que há mais de quatro décadas se dedica ao tema, explica que é natural os adolescentes procurarem referências fora do ambiente familiar. Amigos e outros grupos sociais passam a ocupar um espaço maior na construção de valores, opiniões e comportamentos.

Nesse contexto, a relação estabelecida entre pais e filhos durante a infância pode influenciar a maneira como os jovens enfrentam as dificuldades dessa nova etapa. Um vínculo construído com confiança e acolhimento pode ajudar a preservar o diálogo quando surgirem conflitos.

A sensação de estar entre dois mundos resume parte desse processo. Como observa um dos especialistas entrevistados na reportagem, a confusão e a vulnerabilidade fazem parte das experiências que podem acompanhar essa fase da vida.

POR QUE O CÉREBRO DOS ADOLESCENTES REAGE DE MANEIRA DIFERENTE?

Uma parcela importante das mudanças de comportamento está relacionada ao desenvolvimento do cérebro. A neurocientista Fernanda Tovar Moll explica que o órgão passa por um processo contínuo de reorganização chamado plasticidade cerebral, que permite modificar conexões e adaptar seu funcionamento ao longo da vida.

Na adolescência, entretanto, diferentes regiões cerebrais amadurecem em ritmos distintos. As áreas relacionadas às emoções e ao sistema de recompensa avançam mais rapidamente do que o córtex pré-frontal, região envolvida no planejamento, na tomada de decisões e na avaliação das consequências dos próprios atos.

Essa diferença ajuda a explicar por que muitos adolescentes experimentam sentimentos intensos, buscam recompensas imediatas e podem ter mais dificuldade para controlar impulsos. Não significa que todos os jovens se comportem da mesma maneira, mas que o cérebro atravessa uma etapa importante de desenvolvimento.

Ao descrever a atividade das regiões cerebrais ligadas às emoções, Fernanda Tovar Moll ressalta a intensidade desse funcionamento: "Ela está intensa, muito intensa".

O amadurecimento cerebral não termina com o fim da adolescência convencionalmente reconhecida. Segundo os pesquisadores citados na reportagem, esse processo pode continuar até os 25 ou 27 anos, período em que diferentes capacidades cognitivas seguem se desenvolvendo.

COMO OS PAIS PODEM LIDAR COM A BUSCA POR INDEPENDÊNCIA?

A busca por independência faz parte da adolescência e exige dos pais equilíbrio entre dar liberdade aos filhos e continuar presentes para orientá-los.
📷 A busca por independência faz parte da adolescência e exige dos pais equilíbrio entre dar liberdade aos filhos e continuar presentes para orientá-los. |Reprodução/Magnific

A necessidade de autonomia é uma das características marcantes da adolescência. Para os especialistas, o desafio dos responsáveis é encontrar o equilíbrio entre oferecer liberdade e manter o acompanhamento necessário para que os jovens aprendam a lidar com as consequências de suas escolhas.

A psicopedagoga e terapeuta parental Cláudia defende que essa independência seja conquistada gradualmente. A ampliação da liberdade deve acompanhar a capacidade demonstrada pelo adolescente de assumir responsabilidades e lidar com novas situações.

A especialista utiliza uma comparação para explicar como os adultos podem adaptar sua postura durante essa transição: "A gente costuma andar de mão dada com a criança na rua e a gente solta a mão do adolescente. Eu digo que a gente tem que dar o dedinho para o adolescente e não soltar a mão".

A ideia é mudar a forma de acompanhar os filhos sem transformar a busca por independência em afastamento. Em vez de impor o mesmo nível de controle da infância ou permitir uma liberdade sem limites, pais e responsáveis podem estabelecer acordos, ouvir as opiniões dos jovens e ampliar a autonomia de acordo com cada situação.

INFORMAÇÃO E DIÁLOGO AJUDAM A ATRAVESSAR ESSA FASE

Compreender as mudanças hormonais, emocionais e cerebrais da adolescência pode ajudar as famílias a interpretar comportamentos que, à primeira vista, parecem apenas desobediência ou rebeldia.

O questionamento de regras, a influência dos amigos e a busca por independência fazem parte de um processo de construção da identidade, embora cada adolescente tenha seu próprio ritmo e suas particularidades.

Para os especialistas, conhecer essas transformações é um passo importante para reduzir conflitos, fortalecer os vínculos familiares e criar condições para que os jovens desenvolvam responsabilidade sem perder o apoio dos adultos.

Acompanhar a adolescência, portanto, não significa impedir que os filhos cresçam, mas encontrar maneiras de permanecer presente enquanto eles aprendem a tomar decisões e a construir seu próprio lugar no mundo.

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