Uma equipe de mergulhadores da companhia Sea Paradise retirou 138 peixes-leão do fundo do mar de Fernando de Noronha na última quarta-feira (28), em operação autorizada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade.
A ação ocorreu no ponto conhecido como Cabeço 47, a 47 metros de profundidade, entre o Porto de Santo Antônio e a Praia da Conceição, como parte do esforço contínuo de controle de uma das mais perigosas espécies invasoras do litoral brasileiro.
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Esta não foi a primeira intervenção do mês. No início de maio, a mesma equipe já havia extraído 312 exemplares da espécie no mesmo trecho marinho. No total, portanto, foram removidos 450 peixes-leão em poucas semanas.
Fernando Rodrigues, coordenador da operação, alertou para a velocidade de proliferação do animal: caso o ritmo de captura diminua, a espécie pode dominar a área em pouco tempo.
Para ele, o risco ambiental é considerável e exige vigilância permanente.
Por que o peixe-leão é tão perigoso?
A presença do peixe-leão em Fernando de Noronha foi confirmada pela primeira vez em dezembro de 2020. Desde então, a espécie se alastrou sem encontrar barreiras naturais. Os motivos para sua expansão são claros:
- Ausência total de predadores naturais no ecossistema local;
- Alta taxa reprodutiva, que garante reposição rápida da população;
- Capacidade de consumir até 20 peixes nativos em apenas 30 minutos;
- Adaptação eficiente a diferentes profundidades e condições.
Ameaça direta à biodiversidade
Cientistas classificam o peixe-leão como uma das maiores ameaças à vida marinha do planeta. Seu apetite voraz reduz populações inteiras de espécies nativas em pouco tempo.
Esse desequilíbrio afeta toda a cadeia alimentar do arquipélago. Além do risco ecológico, o animal possui espinhos venenosos, o que representa perigo também para banhistas e mergulhadores que frequentam as águas da região.
Como ocorre o manejo?
A metodologia adotada pela Sea Paradise segue protocolo aprovado pelo ICMBio e envolve as seguintes etapas:
- Identificação dos pontos de maior concentração da espécie;
- Mergulho com equipamento especializado em profundidades de até 47 metros;
- Captura manual dos exemplares com ferramentas adequadas;
- Registro e descarte seguro dos animais retirados.
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A continuidade das operações depende de autorização periódica do órgão federal, que monitora os resultados e avalia a necessidade de ampliar o esforço de captura em outras áreas do arquipélago.
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