O número de alunos oriundos da escola pública aprovados em primeira chamada na Universidade de São Paulo (USP) caiu para o menor patamar desde 2007, quando o programa de inclusão foi implantado na instituição. Neste ano, 25,6% do total de 10.662 convocados para matrícula - ou seja, 2.717 alunos - cursou o ensino médio na rede pública. O porcentual está abaixo do número de 2009, que foi de 30% - um recorde para a USP.
Os dados são referentes ao Programa de Inclusão Social da Universidade de São Paulo (Inclusp) e foram apresentados ontem pela pró-reitora de graduação da USP, Telma Zorn. O Inclusp oferece ao aluno da rede pública a possibilidade de aumentar sua nota do vestibular em até 12%, de acordo com os bônus do programa (leia mais nesta página).
O porcentual de 25,6% se aproxima das taxas anteriores à criação do Inclusp - por exemplo, em 2001, 25,19% dos aprovados na Fuvest estudaram na rede pública. Além disso, está abaixo da meta do programa. Quando foi criado, o objetivo era conceder 30% das matrículas a estudantes formados na rede pública - número que só foi atingido em 2009, já que, em 2007, a taxa foi de 26,98% e, em 2008, de 26,31%. "Mas não podemos trabalhar com metas dessa forma. O objetivo é sempre incluir o máximo possível com qualidade", afirmou a pró-reitora.
De acordo com Telma, há algumas possibilidades para a queda específica de 2009 para 2010: a não realização do programa de embaixadores do Inclusp no ano passado (ou seja, faltou divulgação nas escolas); a maior oferta de vagas com a expansão de universidades federais, como a UFABC e a Unifesp; a procura pelo Programa Universidade Para Todos (ProUni), que chama alunos carentes para instituições particulares, e a divulgação escassa do chamado "bônus Fuvest", criado em 2009 para substituir a nota do Enem no vestibular - a nota do Enem foi descartada após os problemas com o exame que prejudicaram o calendário.
Interesse. Outro dado que sofreu queda foi a porcentagem de inscritos na Fuvest oriundos do ensino público. O número, que vem caindo desde a implantação do Inclusp, foi de 33,37% em 2009 e de 29,29% em 2010.
Para a pesquisadora do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da USP (NUPPs), Elizabeth Balbachevsky, políticas de inclusão como o Inclusp não deslancham na instituição porque não fazem parte do perfil da universidade. "A USP é um celeiro de pesquisa de ponta e esse tipo de instituição, em qualquer lugar do mundo, não consegue ser muito eficiente quando se fala em inclusão", aponta ela.
O presidente nacional do Movimento Sem Universidade, Sérgio Custódio, lamentou o decréscimo nas taxas. "O Inclusp é um tapa-buracos, uma tentativa de se tampar o sol com a peneira. Essa queda só mostra a fraqueza e a timidez do programa", disse.
Frei David dos Santos, da entidade Educação e Cidadania de Afrodescendentes e Carentes (Educafro), concorda. "Esse é um programa mentiroso. Enquanto a USP não mudar seu vestibular que só mede a capacidade financeira de quem pode pagar um cursinho caro, vai continuar elitista", afirma.
(Fonte: Estadão)
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