As operações contra queimadas em Mato Grosso neste ano resultaram em 113 autos de infração e na aplicação de multas no valor de R$ 50 milhões. Os números foram divulgados ontem pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema/MT). Nos meses de julho e agosto, período crítico para queimadas em Mato Grosso, a Sema/MT emitiu 112 autos de inspeção; 43 notificações; 23 termos de embargo e cinco termos de apreensão (três caminhões, três tratores de esteira e um trator com grade).
Os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que entre janeiro a agosto deste ano ocorreram 73.483 focos de incêndio no Estado, dos quais 57.757 (78,60%) foram registrados nos últimos dois meses, período em que as queimadas estão proibidas.
O governo de Mato Grosso minimiza as críticas sobre as queimadas, argumentando que o Estado ocupa a quinta colocação no quadro geral de focos de calor registrados de janeiro a 23 de agosto deste ano. No Brasil foram registrados 302.272 focos até o dia 23 do mês passado, número 329% superior a igual período do ano passado.
Segundo a Sema/MT, a fiscalização feita por meio de imagens de satélite dos últimos dois meses apontou 311 pontos de queimadas em zonas rurais (fazendas), 9.173 pontos em terras indígenas e outros 7.933 pontos em assentamentos de trabalhadores rurais. As áreas serão identificadas em campo para emissão do auto de infração. O superintendente de fiscalização da Sema, coronel Paulo Ferreira Serbija Filho, explica que “nem todo ponto de calor significa queimada”.
Para Laurent Micol, coordenador do Instituto Centro de Vida (ICV), os dados da Sema/MT sobre os autos de infração mostram a deficiência da fiscalização, pois foram autuadas apenas 311 fazendas, quando as propriedades rurais foram responsáveis por mais de 60% dos focos. (AE)
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