A Justiça Eleitoral em Inhapim, no Vale do Rio Doce mineiro, deve decidir na próxima semana o destino do prefeito de Dom Cavati, Jair Vieira Campos (DEM), acusado de ser analfabeto e usar um diploma falso para comprovar a escolaridade no registro da candidatura, em 2008. A decisão deveria ter ocorrido na quinta-feira (23), mas o juiz eleitoral Mauro Simonassi atendeu pedido dos advogados e abriu prazo para a juntada de documentos no processo.
Campos foi acionado pelo adversário Pedro Euzébio Sobrinho (PT), que teve os mesmos 1.919 votos que o democrata - eleito por ser mais velho que o petista. Sobrinho baseou a Ação de Impugnação de Mandato Eletivo em um depoimento no qual Campos assumiu em um evento na cidade que havia cometido a fraude.
A confissão, feita no início do ano, foi gravada em vídeo que circula até hoje pela internet. "Eu comprei o diproma (SIC). Sou analfabeto, mas sei trabalhar", afirma Jair na gravação. O vídeo foi encaminhado pela Justiça Eleitoral à Polícia Federal, que atestou não haver montagem de imagem ou áudio.
Além do vídeo, o processo contra Campos traz também um relatório da Superintendência Regional de Ensino (SRE) informando que não é possível comprovar a autenticidade do diploma do prefeito, que tem data de 1972. Segundo a SER, a escola que consta no documento nunca ofereceu curso de suplência e não tem nenhum registro da passagem de Jair Campos pela instituição.
O prefeito já foi acionado pelo Ministério Público Eleitoral por causa da suspeita de fraude, mas Campos foi absolvido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na ação proposta por Sobrinho, o juiz Simonassi também havia absolvido o prefeito e determinado o arquivamento da ação sem análise de mérito, mas o Tribunal Regional Eleitoral de Minas (TER/MG) cassou a sentença e determinou a instauração do processo.
A juntada de documentos autorizada pelo magistrado é a última diligência do processo, que aguardará apenas a decisão de Simonassi. O ESTADO tentou falar com Campos ontem (24), mas o prefeito não foi localizado. Ele também tenta recorrer da decisão que determinou a instauração do processo.
(Agência Estado)
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