O chanceler Celso Amorim deixou escapar que pode estar mesmo terminando seu mandato à frente do Itamaraty, depois de oito anos consecutivos no comando da diplomacia brasileira. Ontem, ao iniciar um discurso na Organização Internacional do trabalho (OIT), Amorim afirmou que sua participação no evento seria uma espécie de “despedida” de Genebra. “Pelo menos por enquanto”, afirmou o chanceler, que já havia sido embaixador em Genebra antes de ser ministro. Mais tarde, questionado por uma jornalista estrangeira se ficaria no governo na gestão de Dilma Rousseff, Amorim apenas respondeu. “Eu não sei. Eu não posso fazer nenhum comentário a respeito disso. Eu não estou formando nenhum gabinete, somente o meu, que eu não estou formando, mas sim desfazendo”, completou.
Amorim assinou um acordo com a OIT, abrindo espaço para que o Brasil coopere no setor humanitário. Mas seu discurso foi uma espécie de resumo dos oito anos de sua política externa. Pregando “tolerância” nas relações com outros governos, ele insistiu que o “mais difícil tem sido quebrar barreiras mentais.” Para ele, esse tem sido um dos maiores obstáculos em fazer avançar a agenda das relações entre os países do Sul. “Quando o Mercosul foi criado, muitos perguntavam por que é que perdíamos tempo com a Argentina. Defendiam que teríamos de lidar com Estados Unidos e Europa e que apenas estávamos juntando as pobrezas de dois países. Hoje, ninguém questiona a importância do Mercosul. O mesmo ocorreu quando criamos a Unasul. Chegaram a me perguntar por que é que eu me preocupava tanto com a América do Sul. Ainda temos uma mentalidade colonial”, afirmou. “Se não quebrarmos barreiras mentais, não avançaremos”, disse. (AE)
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