Sem produzir surpresas, Dilma Rousseff concluiu hoje (22) a montagem de um Ministério à imagem e semelhança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O PT, partido da presidente eleita, ficou com a maior fatia do poder: 17 das 37 cadeiras. Trata-se da mesma cota que a legenda detém hoje na Esplanada. Apesar da fisionomia de continuidade do governo Lula, a escalação da equipe causou descontentamento entre quase todos os aliados.
O PMDB do vice eleito, Michel Temer, continuou com seis assentos no primeiro escalão, embora o ministro da Defesa, Nelson Jobim - filiado ao partido - seja carimbado como "cota pessoal" de Dilma e Lula.
Apesar do número de cadeiras, o PMDB perdeu "substância" na Esplanada, na visão do líder do partido, Henrique Eduardo Alves (RN). "Perdemos pastas como Comunicações e Saúde, que foram para o PT. Mas sabemos que, na montagem do governo, nunca se chega ao ideal", disse o deputado.
O PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, queria aumentar o seu espaço no governo, mas acabou levando dois ministérios: Integração Nacional e Secretaria dos Portos. A bancada do partido na Câmara esperneou, mas não houve jeito. Ao menos por enquanto, Dilma também desistiu de criar um ministério exclusivo para cuidar de portos e aeroportos. O Ministério da Micro e Pequena Empresa, outra promessa de campanha, foi outro que ficou para depois.
Embora a presidente eleita tenha assegurado que não admitiria homem forte na equipe, está claro que o futuro chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, assumirá esse papel. Foi Palocci, por exemplo, que sondou todos os convidados para a equipe, antes de Dilma, apartou brigas e atuou como bombeiro para apagar incêndios políticos, principalmente no PT e no PMDB.
A escalação da equipe também produziu a categoria dos ministros que foram sem nunca ter sido. Estão nessa lista o secretário fluminense Sérgio Cortês, que era para ser e não foi ministro da Saúde; o senador eleito, Eduardo Braga (PMDB-AM), que chegou a ser confirmado por integrantes da equipe de transição como ministro da Previdência, mas acabou não indo, e Ciro Gomes, cotado para retornar à Integração ou assumir Portos e Aeroportos. (AE)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar