No Brasil, 10 milhões de crianças de 0 a 3 anos não têm acesso a creches. E, para que sejam todas atendidas, será preciso construir 12 mil novas unidades, segundo estudo divulgado semana passada pela Fundação Abrinq (Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos). Este número representa o dobro do que o governo federal prometeu criar: 6 mil creches em quatro anos, até o fim do mandato da presidente Dilma Rousseff.
Balanço do Ministério da Educação aponta que o governo federal firmou, desde 2007, convênios com 2.151 municípios para a construção de 2.348 novas creches, uma quantidade bem abaixo da necessária. O déficit de creches dificulta a vida de milhares de famílias brasileiras. À espera por uma vaga, crianças ficam sob cuidados de parentes desempregados, irmãos mais velhos ou em lares de vizinhas que, numa rede de solidariedade, cuidam de crianças em espaços apertados.
No Jardim São Luís, na Zona Sul de São Paulo, uma das regiões de maior demanda por vagas em creches na capital paulista, o adolescente Francisco Erle, de 11 anos, cuida do sobrinho, Eduardo, de 2 anos.
Ele dá banho e almoço ao garoto para a mãe poder trabalhar. Quando Francisco vai para a escola, de manhã, quem reveza com ele na tarefa de cuidar do sobrinho é a irmã, de 9 anos.
A duas quadras da casa de Francisco, nos fundos de uma loja de produtos de limpeza, uma mulher de 52 anos toma conta de cinco crianças que não conseguiram vagas em creche. O anúncio pintado no muro da residência avisa: “Olha-se (sic) crianças”. O preço para “olhar” uma criança varia de R$ 150 a R$ 200 por mês.
As mães ainda têm que levar a comida e o leite para seus bebês. O problema é que a maioria das mães recebe salário de R$ 600. Pagar para alguém cuidar do filho significa apertar o orçamento doméstico.
Leia mais no Diário do Pará
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar