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Obras em prédio causavam polêmica

Apontada por especialistas e dirigentes do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ) como uma das possíveis causas do desabamento do Edifício Liberdade, as obras promovidas pela Tecnologia Organizacional (TO) no

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Apontada por especialistas e dirigentes do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Rio de Janeiro (Crea-RJ) como uma das possíveis causas do desabamento do Edifício Liberdade, as obras promovidas pela Tecnologia Organizacional (TO) no terceiro e no nono andares do prédio eram fonte de polêmica muito antes da tragédia.

O condomínio já havia pedido explicações à TO sobre as intervenções que estavam sendo realizadas. Havia
preocupação em relação ao entulho e ao peso que o material de construção guardado nas salas da empresa exercia sobre a estrutura do prédio.

Contratado pela TO, o engenheiro calculista Paulo Sérgio da Cunha Brasil elaborou um laudo limitando-se a informar ao síndico Paulo Renha que os quatro sacos de cimento armazenados no terceiro andar não apresentavam risco à estrutura. Ele negou tem qualquer participação na obra e disse que não foi contratado para fazer avaliações no nono andar.

“Havia um questionamento do síndico se aqueles quatro sacos de cimento poderiam provocar dano à estrutura. Eu falei que esse era o peso equivalente a duas pessoas se cumprimentando. Pensei até que era brincadeira. Isso não pode, evidentemente, causar nenhuma avaria”, explicou o engenheiro. Cada saco de cimento pesa 50 quilos.

Cunha Brasil destacou que não chegou a identificar um engenheiro responsável pela obra no local. Ele também disse ter achado estranho que Renha não tenha apresentado questionamentos sobre uma parede que ele viu sendo erguida no terceiro andar. “Isso o síndico não questionou. E a parede é mais pesada que os sacos de cimento”, disse.

Ainda segundo o engenheiro, todos os pilares do Edifício Liberdade eram externos. Não havia pilares ou vigas no meio das lajes do prédio. A eventual remoção de parede interna, portanto, não provocaria abalo na estrutura do edifício. “Todos os pilares são externos. No meio da laje, não tem pilar e não tem viga. Era uma laje plana”, explicou. Procurado, o advogado Geraldo Beire Simões, que representa o síndico do edifício Liberdade, não retornou as ligações. À TVGlobo, ele informou que o laudo sobre as obras no nono andar ainda estavam sendo aguardados.

Em entrevista coletiva concedida hoje, Sérgio Alves, um dos sócios da TO, alegou que as obras no nono andar tinham começado há apenas oito dias e reconheceu que o laudo pedido pelo síndico não tinha sido entregue, pois o engenheiro Cunha Brasil precisou resolver problemas pessoais.

AUTORIZAÇÃO
O sócio disse que o síndico foi comunicado e que recebeu uma autorização verbal para iniciar a reforma e entregar o laudo em até 15 dias. Segundo ele, começou então o trabalho de derrubada de paredes divisórias de um banheiro e de retirada de entulho - 80% do material já havia sido removido.

Alves reafirmou que o tipo de reforma realizada era de adequação e que não interferiam na estrutura e na fachada do prédio e que, por isso, não havia necessidade de autorização da Prefeitura.

“O andar é sustentado pelas pontas. Praticamente todos eram vãos livres”, afirmou o sócio da TO. Ele reconheceu, no entanto, que foi feita uma abertura de janela do 10º andar, o que não é permitido, argumentando que outros condôminos já haviam feito o mesmo - inclusive o síndico.

“Nós éramos os inquilinos mais caprichosos. Não quero ser injusto, como acho que estão sendo comigo”, disse ele, após citar que havia outras obras em andamento no prédio.

Também o auxiliar de pedreiro Alexandro da Silva Fonseca, que ganhou notoriedade por ter sobrevivido ao colapso do prédio se escondendo dentro do elevador, confirmou ter derrubado quatro paredes para a realocação dos banheiros no nono andar do edifício. Fonseca destacou, no entanto, que os pilares e as estruturas de concreto do andar foram mantidos de pé.

O delegado titular da 5ª DP (Centro), Alcides Alves Pereira, que dirige o inquérito criminal sobre a tragédia, informou que os responsáveis pelo colapso dos prédios vão responder por desabamento qualificado, cuja pena vai de dois a quatro anos.

Corpo Bombeiros, a Polícia Civil e a Polícia Militar não se entendem em relação ao destino dos bens encontrados nos escombros dos prédios. Sete caixas eletrônicos do Itaú e 4 cofres de empresas de contabilidade foram achados, mas não há um inventário sobre os objetos de valor encobertos por toneladas de escombros.

As informações desencontradas geram dúvidas. As autoridades fornecem diferentes caminhos para os interessados em recuperar o patrimônio.

EXPLICAÇÕES
O condomínio já havia pedido explicações às intervenções que estavam sendo realizadas. Havia preocupação em relação ao entulho e ao peso que o material de construção
exercia sobre estrutura. (Agência Estado)

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