O Banco Central (BC) vai anunciar nova queda da taxa básica de juros (Selic) na reunião desta semana do Comitê de Política Monetária (Copom). A garantia foi dada ontem, em Hannover, Alemanha, pelo secretário especial para Assuntos Internacionais da presidência da República, Marco Aurélio Garcia.
A declaração se deu logo na chegada da delegação do Brasil ao país europeu. A presidente Dilma Rousseff vai participar da Feira de Hannover, que, neste ano, presta homenagem ao País. “Vamos ter mais uma reunião do Copom, na qual vamos ter uma queda, moderada, mas vamos ter uma queda”, disse, antecipando o BC. “Esse caminho já está definido, e com sucesso, porque não estamos tendo inflação.”
Segundo ele, a queda do juro é mais uma ferramenta para ajudar o governo a enfrentar o que Dilma chamou de ‘tsunami’, em referência às medidas dos bancos centrais de países ricos para conter a crise. “Precisamos eliminar os fatores de anomalia existentes hoje. São resultantes dos desequilíbrios externos”, disse ele.
Marco Aurélio quebrou um protocolo segundo o qual nenhuma autoridade que não seja ligada ao BC deve se pronuncia sobre o Copom, sobretudo na semana em que se realiza a reunião (na terça e termina quarta-feira). Na Basileia, o presidente do BC, Alexandre Tombini, negou-se a falar com os jornalistas.
No mercado financeiro, uma nova redução da Selic, hoje em 10,50% ao ano, é dada como certa. A dúvida é sobre a magnitude do corte: 0,50 ou 0,75 ponto porcentual.
O TSUNAMI
“Aumentou muito nos últimos dias o senso de urgência do governo para coibir a sobrevalorização do câmbio, especialmente com a manifestação da presidente Dilma Rousseff de “tsunami monetário” dos países desenvolvidos”, comentou um ex-diretor do Banco Central à Agência Estado. “E quando isso ocorre, medidas federais tendem a ser adotadas com rapidez para atingir não só a consequência da apreciação do real ante o dólar, mas sobretudo suas causas, como o atual patamar da Selic”, destacou.
Na avaliação desse ex-diretor do BC, não foi por outro motivo que o mercado de juros futuros começou a precificar que há alguma chance relevante de que o Banco Central acelere o ritmo de corte da Selic na próxima quarta-feira. Ele acredita que o Copom diminuirá a taxa em 0,50 ponto porcentual, mas não ficará surpreso se do debate técnico realizado por dois dias pela instituição em Brasília seja aprovada uma queda de 0,75 ponto porcentual, o que já a levaria para o patamar de um digito, pois atingiria 9,75% ao ano.
O ex-dirigente não acredita que entre as medidas que o governo pode implementar em breve esteja a quarentena para o ingresso de capitais, com prazo mínimo de seis meses de permanência no País, como defendeu semana passada o ex-Secretário de Política Econômica, Luiz Gonzaga Belluzzo. (Agência Estado)
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