Empenhada em dissipar a tensão que tem marcado seu relacionamento com a base de apoio do governo no Congresso, a presidente Dilma Rousseff aproveitará hoje visita ao Senado para fazer um discurso de reconciliação política. Na sessão solene em homenagem ao Dia da Mulher, Dilma vai dirigir afagos aos parlamentares e, apesar de sua contrariedade com os próprios aliados, destacará que o Congresso tem ajudado o governo.
Desde sua posse, em janeiro do ano passado, esta é terceira vez que a presidente irá ao Congresso. Dilma não gosta do varejo da política nem de negociar cargos e emendas parlamentares, mas decidiu fazer um gesto após a rebelião, liderada pelo PMDB, que resultou no veto à recondução de Bernardo Figueiredo para o comando da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
O tom do discurso de Dilma no Senado foi decidido após várias conversas que ela teve, nos últimos dias, com pesos-pesados do PMDB, partido que não esconde a insatisfação com o avanço do PT sobre cargos no governo. A lista dos interlocutores com quem Dilma se aconselhou incluiu o vice-presidente Michel Temer e o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Todos foram unânimes em dizer a ela que era preciso “ouvir” mais os aliados e fazer um gesto, se não quisesse sofrer novas derrotas. Foi com receio de novo revés que o Planalto adiou na semana passada, por tempo indeterminado, a votação do Código Florestal na Câmara.
LÍDER NO SENADO
Menos de uma semana depois de ter sido derrotada pelos senadores na recondução de Bernardo Figueiredo para a direção-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Dilma decidiu trocar os articuladores do governo no Congresso. Mas manteve o cargo com o PMDB, sinal de que respeita o gigantismo do partido do vice-presidente Michel Temer. Para o lugar do líder no Senado, Romero Jucá (RR), ela chamou o senador amazonense Eduardo Braga (AM).
Ao fazer a troca de líderes, Dilma disse que pretende pôr em prática um rodízio no Senado e na Câmara. Significa que o líder Cândido Vaccarezza (PT-SP) também será trocado. As mudanças feitas pela presidente visam a tentar debelar a crise existente entre o Congresso e o Palácio do Planalto, uma junção de descontentamento com falta de liberação de emendas parlamentares ao Orçamento e demora na nomeação de indicados para cargos em estatais.
É comum a presidente e seus ministros serem abastecidos com informações que dão segurança quanto ao resultado de uma votação Mas, quando o placar eletrônico é aberto, nada bate com o que os líderes disseram. Um dos exemplos mais usados pela presidente nos últimos dias para falar do problema na comunicação foi a votação do Fundo de Previdência do Servidor Público (Funpresp). (Agência Estado)
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