Senadores governistas cobraram ontem que o líder do Democratas na Casa, Demóstenes Torres (GO), esclareça sua relação com o empresário do ramo de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. A situação de Demóstenes agravou-se diante da revelação de que ele teria pedido em 2009 dinheiro a Cachoeira, preso recentemente na operação Monte Carlo, da Polícia Federal.
Em plenário, os senadores Ana Amélia (PP-RS), Pedro Taques (PDT-MT) e Jorge Viana (PT-AC) disseram que esperam um pronunciamento de Demóstenes o mais rápido possível sobre as novas suspeitas levantadas. “A situação se agravou muito. Eu sou do PT e defendo que o PT não faça com os outros aquilo que a oposição fez com o PT”, afirmou o senador Jorge Viana (PT-AC), ao ressaltar que “não pode ficar para depois” a volta do senador do Democratas à tribuna do Senado.
“Nós não podemos tapar o sol com a peneira. O caso é grave. E esta Casa da federação não terá moral para notificar, para convidar, para intimar qualquer cidadão a depor em suas comissões se nós não ouvirmos os esclarecimentos do senador Demóstenes”, afirmou Taques.
Ele e o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) marcaram de ir nesta terça à Procuradoria-Geral da República pedir explicações sobre o motivo pelo qual o órgão não levou adiante as investigações feitas pela Polícia Federal que, três anos atrás, já mencionava o envolvimento de Demóstenes com Cachoeira. O líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA), também disse que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, precisa esclarecer a demora em pedir uma investigação contra Demóstenes no STF.
O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), disse que gostaria que as suspeitas envolvendo Demóstenes fossem tratadas pelo Judiciário. “Politizar o tema é desagradável”, ponderou.
A ordem entre os governistas é aguardar. Só vão levar Demóstenes à Corregedoria ou ao Conselho de Ética do Senado depois que tiverem acesso às explicações de Roberto Gurgel.
Amigo do líder do DEM vai continuar na cadeia
O empresário do ramo de jogos de azar Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, fracassou na tentativa de se livrar da prisão. Os desembargadores da 3ª. Turma do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª. Região rejeitaram por unanimidade um pedido de habeas corpus para que ele fosse libertado.
Cachoeira foi preso em 29 de fevereiro em Goiânia durante a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal. A operação investigou um esquema de exploração de máquinas caça-níqueis. Todos os integrantes da 3ª. Turma do TRF seguiram o voto do relator, Tourinho Neto, para quem é necessário manter a prisão para garantir a ordem pública.
O desembargador observou que há indícios de que tenham sido cometidos vários crimes, como corrupção ativa, evasão de divisas, formação de quadrilha e exploração de jogos de azar. Tourinho Neto disse ainda que há suspeitas de que a organização criminosa seja extensa, com envolvimento de autoridades.
DEMÓSTENES
As investigações da polícia demonstraram que Cachoeira teve contatos com vários políticos de Goiás, inclusive com o senador Demóstenes Torres (DEM). O parlamentar também recebeu presentes de Carlinhos Cachoeira.
O empresário tornou-se nacionalmente conhecido em 2004, quando foi divulgado um vídeo no qual ele negociava propina com o então subchefe de Assuntos Parlamentares da Casa Civil, Waldomiro Diniz, em troca de apoio para a aprovação de projetos de legalização de jogos. (AE)
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