Estudo da Faculdade de Administração, Economia e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP), de Ribeirão Preto (SP), mostrou que a probabilidade de um deputado federal votar com o governo na Câmara na apreciação do Orçamento da União aumenta em 20%, caso todas as emendas propostas pelos deputados sejam executadas.
Além de apontar o nível de barganha entre Executivo e Legislativo, o estudo indica dois caminhos para reduzir essa prática. Um deles seria adotar princípios do processo orçamentário dos Estados Unidos, onde existe a obrigatoriedade da execução do orçamento. O outro seria a adoção do Orçamento Participativo Federal, modelo que já existe nos municípios que dá à população a possibilidade de definir, em plenárias, as prioridades na execução orçamentária.
O levantamento, do mestrando Rafael Ravanelli e do professor doutor da FEA/USP Davi Rogério de Moura Costa, acompanhou as votações de 134 deputados federais, escolhidos aleatoriamente, durante o ano de 2009, e fez uma comparação com a orientação da liderança do governo e ainda apurou como foi a execução das emendas propostas por esses parlamentares. "A partir daí, foi feito um modelo estatístico para cruzar os dados que mostra essa relação: quanto mais fiel é o deputado, mais ele vota com o governo", disse Ravanelli.
Já segundo Costa, apesar de os valores não serem considerados, o levantamento "mostra um indício claro de um processo de barganha política", disse o professor da FEA/USP. (AE)
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