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Bolsonaro pode responder a processo

A Comissão de Direitos Humanos da Câmara pediu abertura de processo disciplinar contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) por comportamento incompatível com o mandato parlamentar. O presidente da comissão, Domingos Dutra (PT-MA), e um grupo de deputados do

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A Comissão de Direitos Humanos da Câmara pediu abertura de processo disciplinar contra o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) por comportamento incompatível com o mandato parlamentar. O presidente da comissão, Domingos Dutra (PT-MA), e um grupo de deputados do colegiado se reuniu com o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), pedindo providências contra o parlamentar.

Bolsonaro tumultuou, nesta terça, a reunião da Comissão Parlamentar da Memória, ligada à Comissão de Direitos Humanos, xingando e ofendendo funcionários, deputados e convidados que prestavam depoimentos - ex-integrantes do Exército e camponeses, envolvidos na Guerrilha do Araguaia. A reunião era fechada a pedido dos convidados e para, segundo a comissão, preservar a integridade física dos depoentes, que sofrem ameaças. Apesar de reservada, a reunião foi registrada pela TV Câmara, apenas para uso interno dos deputados. De acordo com a comissão, a gravação servirá de prova contra o parlamentar.

Os fatos narrados na representação e testemunhados pelos integrantes do colegiado apontam Bolsonaro ofendendo os parlamentares. Inicialmente, ele teria pedido o nome e o endereço dos depoentes ao secretário da comissão, Márcio Araújo. Como os dados eram reservados e negados ao deputado, Bolsonaro xingou o servidor de “cachorrinho”. Em seguida, começou a fotografar os depoentes e, ao ser alertado da proibição, afirmou que “a conversa não chegou ao chiqueiro”. Bolsonaro teria repetido a mesma expressão ao referir-se ao deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA), que tentava evitar o tumulto na reunião.

Aos berros, Bolsonaro chamou os depoentes de mentirosos, segundo narração dos integrantes da comissão. “Seus gritos constituíram visíveis ameaças aos depoentes a ponto de um deles não conter seu choro de medo e indignação”, relata o documento. Marco Maia afirmou que encaminhará o documento ao corregedor da Câmara, deputado Eduardo da Fonte (PP-PE).

“A bola está com a Mesa da Câmara. Nós não vamos permitir que a comissão seja constrangida e, se houver problemas, a responsabilidade será da Mesa”, afirmou Domingos Dutra, após o encontro com Marco Maia. O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ) cobrou uma ação efetiva da corregedoria. “A postura de Bolsonaro é de incitação à violência. Se a Câmara permitir isso, porque as ruas não irão reproduzir o mesmo?”, afirmou Chico. (AE)

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