Uma proteína desenvolvida em laboratório que imita um componente natural do sistema imunológico pode se tornar mais uma forma de combater o vírus influenza. Em estudo com camundongos, a administração da proteína sintética EP67 logo após a exposição ao vírus desencadeou uma resposta imune que impediu o desenvolvimento da gripe.
Para o infectologista Carlos Magno Fortaleza, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp), é importante aumentar o arsenal de condutas de prevenção e tratamento da gripe, hoje composto pela vacina e pelos antivirais oseltamivir e zanamivir. "Se você descobre uma substância que tem potencial de aumentar a resposta imunológica contra influenza, isso é extremamente bem-vindo", diz.
O organismo tem dois tipos de resposta imune: a inata e a adaptativa. Enquanto a resposta inata combate os invasores de maneira generalizada, a resposta adaptativa envolve a produção de anticorpos específicos para combater determinado vírus ou bactéria. A substância avaliada no estudo age diretamente na resposta imune inata, por isso teria a capacidade de derrotar todos os tipos de vírus influenza.
O EP67 foi criado para imitar a atividade da molécula C5a, que faz parte do sistema complemento, um dos braços do sistema imunológico. Os pesquisadores injetaram a proteína em camundongos que tinham sido previamente infectados com o vírus influenza. Quando administrada até 24 horas depois da infecção, a proteína impediu o desenvolvimento da gripe ou atenuou seus sintomas. O parâmetro para analisar a intensidade dos sintomas foi a perda de peso em decorrência da gripe.
O estudo, divulgado ontem no periódico científico PLoS ONE, constatou também que a substância impediu a morte de camundongos que receberam doses letais do vírus. A ideia é desenvolver uma droga que possa ser administrada logo após o paciente se expor a uma situação em que o vírus influenza esteja presente.
(Agência Estado)
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