Os reajustes salariais dos trabalhadores da construção civil este ano estão menores do que os registrados em 2011, sinal de uma tendência de desaquecimento do emprego no setor. A mão de obra subindo menos já desacelera a inflação da construção, medida pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Em junho, dentro do Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna, o INCC apontou uma alta acumulada de 7,04%, enquanto a taxa vinha rodando a 8% em meses anteriores, ressaltou Salomão Quadros, coordenador de Análises Econômicas da FGV.
“Isso está acontecendo num momento em que a construção mostra uma certa exaustão. O setor tem dado indicações de que anda um pouco mais devagar. Os empresários estão menos otimistas, a demanda mais retraída, e o crédito ficou menos favorável do que antes. O resultado é que se contrata menos e os reajustes dos trabalhadores não são mais tão altos”, afirmou Quadros.
O reajuste salarial da categoria em São Paulo este ano foi de 7,47%, contra um aumento de 9,75% em 2011. Brasília também teve aumento menor este ano, de 9,75%, ante 15,81% em 2011. Em Salvador, os empregados da construção receberam reajuste de 9%, após um aumento de 10,23% no ano passado.
“O comportamento, de um modo geral, é de desaceleração. Em 2012, o aumento salarial está predominantemente menor do que em 2011”, disse Quadros. “Não sei se isso levará a uma redução de 1 ponto porcentual na inflação da construção, mas tranquilamente ela vai fechar abaixo do que fechou em 2011 (7,49%)”.
Na passagem de abril para maio, a atividade de construção dispensou 55 mil trabalhadores, um recuo de 2,9% na população ocupada no setor, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Esta semana o IBGE divulgou ainda uma queda de 11,3% nas vendas de material de construção em maio. O recuo foi causado pela desaceleração da atividade econômica, que teria deixado o consumidor avesso a investimentos como reformas em casa.
Apesar dos incentivos do governo em programas como o Minha Casa Minha Vida, os empresários do setor estão preocupados com a queda nos investimentos na economia, que podem se traduzir em escassez de novos contratos de trabalho.
“O que existe hoje na construção civil são decisões de investimentos tomadas no passado. O que me preocupa são as decisões de investimentos que serão tomadas no quarto trimestre do ano e no primeiro trimestre de 2013. Isso vai afetar a construção mais à frente”, avaliou Eduardo Zaidan, vice-presidente de Economia do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP).
Indústria paulista demitiu 7 mil em junho
Os resultados da pesquisa de Nível de Emprego da Indústria de Transformação paulista em junho foram os piores da série, iniciada em 2006, para o período, com exceção do ano de 2009, marcado pelo início da crise internacional.
Números apresentados ontem pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) mostram que o indicador caiu 0,39% na série com ajuste e 0,27% sem ajuste sazonal. O mesmo correu na variação acumulada do primeiro semestre, que neste ano foi positiva em 1,20%, pior resultado também desde 2006, excetuando 2009. De acordo com a entidade, o resultado de junho só não foi mais desastroso por conta do saldo positivo registrado no setor de açúcar e álcool.
(Agência Estado)
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