A blindagem do Palácio do Planalto para poupar petistas, em especial o ex-ministro José Dirceu, impediu que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios de investigar o destino da totalidade dos R$ 55 milhões de recursos que o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza disse ter contraído em empréstimos para o PT. A obstrução aos trabalhos da CPI dos Correios foi denunciada ontem ao jornal O Estado de S. Paulo pelo relator da comissão, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR).
“Retiraram de nós toda a possibilidade de irmos atrás do destino do dinheiro”, afirmou o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), um dos integrantes da CPI dos Correios, que foi instalada em 2005, logo depois das denúncias do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) de que parlamentares estavam sendo comprados para votar a favor de projetos de interesse do Palácio do Planalto.
Uma das investigações que não chegaram ao fim, segundo Lorenzoni, foi o empréstimo feito ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo PT. A dívida foi paga pelo ex-presidente do Sebrae Paulo Okamoto sem que Lula soubesse. Ou, pelo menos, que dissesse que não sabia. Também não houve avanço nas investigações envolvendo a empresa Gamecorp, na época de propriedade de um dos filhos de Lula, com o esquema do “mensalão”.
“Foi feita uma blindagem geral aos principais petistas que apareceram ao longo das investigações”, resumiu o deputado Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA), que foi sub-relator da CPI dos Correios. Segundo ele, o governo passou a atuar “com mais força” do meio para o fim dos trabalhos da comissão, depois do depoimento do publicitário Duda Mendonça, que confessou ter recebido dinheiro no exterior como pagamento pela campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002. “No começo da CPI, o governo estava desarticulado”, lembrou.
Assim como o relator da CPI, Osmar Serraglio (PMDB-PR), o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS) também está certo de que a atuação da tropa de choque do governo impediu que a CPI dos Correios obtivesse provas do destino do dinheiro usado para pagar o chamado “mensalão”. A estratégia usada pelo governo foi criar a CPI da Compra de Votos, conhecida como “mensalão”, totalmente controlada por governistas. “Foi uma CPI que não levou a lugar nenhum”, argumentou Lorenzoni.
Na época, a oposição tentou reagir na CPI dos Bingos, que ficou conhecida como a “CPI do fim do mundo”. Mas também acabou não conseguindo levar à frente as investigações sobre o ex-ministro José Dirceu e empréstimo feito a Lula pelo PT.
(AE)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar