Aborto é um assunto bastante discutido, mas pouco estudado. Pela primeira vez, um estudo científico revela o que acontece com a posição econômica, saúde e relacionamento de mulheres que tiveram negado a tentativa de realizar o procedimento.
Pesquisadores de saúde pública junto com o grupo Advancing New Standards in Public Health (ANSIRH) da Universidade de São Francisco usaram dados de 956 mulheres que procuraram uma das 30 clínicas de aborto dos Estados Unidos que fizeram parte do estudo.
Entre os resultados apresentados estão a de que não há consequências na saúde mental de uma mulher que fez o aborto comparadas àquelas que mantiveram uma gravidez indesejada até o fim.
As mulheres no estudo estavam na mesma posição econômica quando procuraram as clínicas de aborto. No grupo que teve o aborto negado, 45% estavam recebendo ajuda do governo e dois terços tinham renda inferior à linha de pobreza dos Estados Unidos. Um dos maiores motivos que as mulheres citam para fazer aborto é a falta de dinheiro e, baseado na renda das que foram rejeitadas, parece que elas estão certas.
Ainda em relação a questão econômica, o estudo mostrou que um ano depois, as mulheres estavam muito mais propensas a depender de ajuda do governo – 76% das que tiveram o aborto rejeitado estavam recebendo uma espécie de seguro desemprego, enquanto só 44% das que conseguiram abortar estavam na mesma situação.
Segundo a pesquisa, quando uma mulher não pode receber o aborto que deseja, ela tem maior probabilidade de acabar desempregada, dependendo de ajuda do governo e abaixo da linha da pobreza.
O estudo também concluiu que mulheres que tiveram o aborto negado estavam mais propensas a ficar em um relacionamento com um parceiro abusivo do que mulheres que fizeram abortos.
Uma das grandes preocupações sobre o aborto é que ele causaria problemas emocionais que levariam à depressão clínica. Os pesquisadores afirmam que “uma semana depois do aborto, 97% das mulheres que conseguiram abortar sentiram que o aborto foi a decisão certa; 65% das que tiveram o aborto recusado ainda desejavam ter conseguido abortar”.
As mulheres que fizeram abortos, 90% delas disseram se sentir aliviadas, apesar de algumas também se sentirem tristes e culpadas depois. Em outras palavras, o estudo não encontrou indícios que havia emoções negativas prejudiciais e duradouras associadas em fazer um aborto.
(DOL com informações do site Jezebel Brasil)
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